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ACONTECEU EM CAXIAS: UM DIA, ISSO EXPLODIRÁ…

Foto: ( reprodução )

 

Por: Edmilson Sanches

 

Uma sem-vergonhice institucional. As “peças” publicitárias dizem que são “200 anos de Caxias” e “200 de Gonçalves Dias”. Quanta desinformação em nome da publicidade!…

Quer dizer que Caxias, num ato de mágica, passou a existir — Shazam! Pirlimpimpim! Abre-te, Sésamo — apenas nove dias antes de nascer Gonçalves Dias… E ainda tem gente nossa que corrobora isso!… Ninguém sai com uma nota institucional, mesmo sem a força midiática da Prefeitura, para se posicionar e informar os caxienses sobre essa demência voluntária, política e institucional.

A Prefeitura, por meio de seu marketing e mídia desabusados, pedantes, revogou (com que poder, a não ser o da ignorância e da insolência?…) a categoria de distrito de Caxias em 1735, 88 anos ANTES da data que tanto se preza e se “compra” como sendo de “fundação”, “existência” de Caxias?

Quer dizer que, todo-poderosos como se acham quando estão no Poder — como se oito anos não se acabassem e Ministério Público, Justiça e Polícia não existissem a partir daí –, quer dizer que também “revogaram”, anularam o alvará de 31/10/1811, que deu o “status” de vila para Caxias, 11 anos e 9 meses ANTES do 1º de agosto de 1823? (A categoria de cidade, para Caxias, viria a 5 de julho de 1836).

O voluntário, “de caso pensado”, analfabetismo histórico-cultural dessas tidas e ditas tais autoridades é tanto que seria interessante esses (in)dignitários explicarem porque Pastos Bons, que era distrito / povoado / povoação de Caxias, está comemorando 256 (DUZENTOS E CINQUENTA E SEIS ANOS) DE FUNDAÇÃO. Como é que um filho pode ser mais velho que a mãe?

Pastos Bons foi desmembrado de Caxias, isto é, deixou de fazer parte do território de nossa cidade e ganhou sua própria autonomia político-administrativa, em 29 DE JANEIRO DE 1820, TRÊS ANOS ANTES da data em que começou a “existência” de Caxias, segundo os arautos e alardeadores dos 200 anos de adesão à Independência do Brasil…

É uma pena!… Esse tipo de gente que nasce em Caxias mas Caxias não nasce nelas…

Amor por Caxias feito de retórica, de palavras e ações “ex officio”, estatutárias, mandatórias…

Pastos Bons considera sua data magna o momento em que, em 1764, pessoas, de vontade própria, construíram uma igreja, embora desde a década de 1740 tenha sido criada a Freguesia de São Bento das Balsas de Pastos Bons e pessoas, sem falar na anterioridade dos índios amanajós, começaram a ocupação de seu território e ali decidiram ficar, trabalhar, progredir, morrer, deixar descendência para continuar a lida…

Portanto, Pastos Bons, município que é filho de Caxias, saiu do território de Caxias, completa 256 anos… E como Caxias, que é a “mãe” territorial e histórica, só tem 200 anos?! Como são tão desligados, sem compromisso, esses seres ditos e tidos como caxienses que não fazem nem conta de mais e menos?!…

Na verdade, as populações de municípios no país inteiro estão carecas de saber quais são, re-al-men-te, os “interesses maiores” dos tais administradores, gestores, mandatários públicos deste País. A CGU sabe… O MP sabe… a PF sabe… os responsáveis por (i)licitações sabem… os que as vencem sabem também… os que têm certas remunerações, indicações, empregos, concessões, são outros que sabem…

A maior cidade do Maranhão, depois da capital, Imperatriz, que é BISNETA territorial de Imperatriz (saiu de Grajaú, que saiu de Pastos Bons, que saiu de Caxias), Imperatriz tem sua data maior o 16 de julho de 1852, quando pessoas ali chegaram, viram um descampado no meio da alta floresta e ali decidiram iniciar uma cidade.

E Caxias, o que fazemos com ela, com o beneplácito, a preguiça, a falta de coragem, de ousadia, de inovação e de criatividade de quem acha que manda e que será eterno e plenipotenciário aqui?

Simplesmente desconsideram os registros que dizem que Caxias começou a existir a partir do século 17, em 1612, com a chegada de franceses, brancos, índios etc., maravilhados com a qualidade das terras às margens do Itapecuru caxiense.

Aí, ao invés de buscar o aprofundamento e documentação desse recorte histórico, estabelecer uma data (dia e mês) para esse ano de 1612, o que fazem essas tidas e ditas autoridades daqui, acostumadas a derrubar prédios, imagine fatos? Acostumadas a desfazer ou deixar desfazerem-se edificações históricas, pois são elas, essas tais autoridades, que sabem que aqui, terra de muita perplexidade e inação, aqui até as pedras morrem…

O que fazem, então, enfim? Esquecem datas ancestrais — 1811… 1735… 1612… — e “surfam” na onda do que lhes é mais rentável politicamente, eleitoralmente (pois no Brasil todo ano é eleitoral ou pré-eleitoral).

E a maior parte da população, anestesiada com a única inoculação midiática que lhes chega aos olhos, aos ouvidos, às ventas (!), com essa repetição enfadonha de uma data que não tem a ver com o início da formação histórica da cidade, do município, a maior parte da população, os jovens, sobretudo, acham que o 1º de agosto é a data de fundação da cidade…

É tanto faz de conta, é tanta aranhice (a aranha sobe pelo fio da própria baba — é a imagem dos babões, bajuladores e puxa-sacos), que não é de estranhar que Caxias esteja caindo nas tabelas de crescimento do Estado e do País: se, na Economia, já chegou a ser a sexta (6ª) maior do Maranhão e a de número 475 no Brasil, entre 5.570 municípios, os números de agora, os mais recentes, dizem que Caxias caiu para a 9ª posição no Estado e caiu 64 (sessenta e quatro) posições no Brasil, ficando no “ranking” em 539º lugar.

E para as “aranhas” que sobem pelo fio da própria baba que vêm defender o indefensável, que vêm dizer que “História não tem a ver com Economia”, seria bom perguntar a esses aracnídeos o que eles, então, têm a ver com isso.

Porque não se está falando aqui de História, nem de Economia.

É algo bem maior…

Pare-se por aqui. Porque de desinteligência está cheio o País.

De denúncias, estão cheios os Órgãos policiais, ministeriais, controladorias gerais…

De insatisfações está cheia a paciência de quem sustenta tudo isso.

Um dia, ela explodirá…

EDMILSON SANCHES
edmilsonsanches@uol.com.br

Categoria: Notícias