foto: ( arquivo pessoal do governador Carlos Brandão)
Por: Marcos Monteiro
Após a derrota do grupo governista no Maranhão, Carlos Brandão volta a vestir a camisa do lulismo e declara apoio ao presidente no segundo turno. Mas a reaproximação reacende uma pergunta incômoda: onde ficou a reciprocidade política quando o governador mais precisava?
Parece que a derrota nas urnas não foi suficiente para mudar a estratégia política do governador Carlos Brandão (MDB). Neste sábado (17), o chefe do Executivo maranhense voltou às redes sociais para declarar apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da disputa presidencial. Com a camisa da Seleção Brasileira, fazendo o tradicional “L” com a mão e ao som de “Bota pra Virar”, de Igor Kannário, Brandão publicou: “Bora, Maranhão! Bora, Brasil! Bora, Lula!”.
A pergunta que fica é inevitável: depois de tantos desgastes políticos, Brandão ainda aposta todas as fichas na mesma aliança?
Brandão perdeu no Maranhão, mas segue com Lula
O gesto acontece depois de uma derrota eleitoral que mudou o cenário político maranhense. Eduardo Braide venceu a disputa pelo Governo do Estado no primeiro turno, impondo uma derrota ao grupo governista e encerrando as expectativas de continuidade do projeto político apoiado por Brandão.
O resultado expôs as dificuldades do grupo do governador para transformar a estrutura política e administrativa em votos suficientes para permanecer no comando do Palácio dos Leões.
E agora, em vez de um gesto de distanciamento, Brandão reafirma sua ligação com Lula.
A decisão pode ser interpretada como uma tentativa de preservar a aliança nacional e manter abertas as portas do diálogo com o Governo Federal. Mas também levanta questionamentos sobre o peso político dessa relação e sobre o que, de fato, cada lado entrega ao outro.
Lula apoiou Felipe Camarão. E Brandão ficou onde nessa história?
Outro ponto que chama atenção é a divisão política dentro do próprio campo governista. Enquanto Brandão sustentou a candidatura de seu sobrinho, Orleans Brandão, Lula esteve alinhado à candidatura de Felipe Camarão (PT) ao governo maranhense.
O episódio evidenciou que a relação entre o governador e o PT não foi suficiente para evitar candidaturas em campos opostos na disputa estadual.
É justamente aí que mora a contradição política que merece ser debatida: Brandão continua disposto a demonstrar fidelidade a Lula, mas essa aliança tem produzido o mesmo nível de unidade quando os interesses eleitorais se chocam?
Na política, alianças não se sustentam apenas com fotografias, gestos simbólicos e publicações nas redes sociais. Também são medidas pela capacidade de construir acordos, respeitar espaços e administrar divergências.
O governador não ouviu o recado das urnas?
A derrota do grupo governista foi um sinal claro de que o eleitorado maranhense fez sua escolha. Braide venceu no primeiro turno, e o resultado colocou em xeque a estratégia política construída por Brandão para manter seu grupo no poder.
Mesmo diante desse cenário, o governador decidiu reafirmar publicamente seu apoio a Lula.
Para os adversários, o gesto pode ser apresentado como mais um capítulo de uma estratégia política que insiste em preservar alianças nacionais apesar dos conflitos locais. Para os aliados, a aproximação pode ser defendida como pragmatismo e continuidade de parcerias administrativas importantes para o Maranhão.
Mas uma questão continua sem resposta: qual será o espaço político de Brandão nessa nova configuração do poder estadual?
O “L” de Brandão e as perguntas que continuam de pé
A publicação do governador encerra os rumores de neutralidade no segundo turno presidencial, mas não elimina as dúvidas sobre o futuro de suas alianças.
Brandão escolheu Lula. Agora, resta saber como essa escolha será traduzida em articulação política depois de uma eleição estadual que terminou de maneira desfavorável ao seu grupo.
No fim das contas, a fotografia com o “L” pode render repercussão nas redes sociais. O desafio maior, porém, será reconstruir sua força política em um Maranhão que terá Eduardo Braide à frente do governo estadual.










