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MARANHÃO – Um paralelo da economia de Caxias e suas oscilações

 

Por: Alberto Pessoa – jornalista

A publicação recente do pesquisador caxiense Edmilson Sanches sobre o crescimento do setor económico caxiense nesses últimos anos, baseado principalmente, nas informações apuradas pelo IBGE nos remeteu a uma reflexão sobre o passado histórico desta cidade, cuja identidade se revela a cada momento com o esforço e a dedicação de seus filhos amados, imbuídos de patriotismo e admiração pela cultura de nossa terra-mãe, desde o princípio.

Sanches informa que a economia do município cresceu mais de R$ 100 milhões, ou precisamente R$ 105 milhões e 149 mil.

A posição é de 31 de dezembro de 2018, porque o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que faz o levantamento dos dados) só apresenta o PIB municipal de dois em dois anos. O total da Economia de Caxias em 2018 é de R$ 1 bilhão, 814 milhões e 096 mil. Em 2017 o total foi de R$ 1 bilhão, 708 milhões e 947 mil. É o chamado PIB (Produto Interno Bruto), que é a soma do que se produz no município em termos de bens (produtos) e serviços.

Sanches explica ainda que “o comércio – seja o atacadista, o varejista ou o chamado atacarejo – não é mais um setor da Economia; tecnicamente, embora sua importância, o comércio é um segmento, um subsetor. O comércio é um segmento do Setor de Serviços (Setor Terciário)”.

Em face a estas colocações busquei produzir este texto tendo também como fonte o livro de Milson Coutinho “Caxias das Aldeyas Altas, Subsídios para sua história”.

A economia e sua pujança

De acordo com o livro “Caxias das Aldeias Altas”, do escritor maranhense Milson Coutinho (In memória), as primeiras fontes de produção de Caxias se assentaram na agricultura extensiva e em modesta criação de gado no vale fértil do Itapecuru.

“Foi, sem sombra de dúvidas, a cultura algodoeira, de meados do século XVIII até a década de 1950 0 principal fator do desenvolvimento econômico caxiense, e isso ficou demonstrado no Relatório de D. Fernando Antônio de Noronha à Rainha D. Maria I (1798), como em citações contidas em Spix e Martius, além de outras referências encontradas na bibliografia sobre a economia da vila, depois cidade de Caxias.
Paralelamente, cultivou-se intensamente o plantio de arroz, milho, mandioca e feijão, além do que sofreu forte incremento, já neste século, a exploração da amêndoa do babaçu, matéria-prima de fabrico de óleo comestível de larga aceitação em todo o País, além da torta, que tem largos mercados importadores na Alemanha. Uma publicação oficial (IBGE) assinala que no ano de 1956 Caxias exportara 1.487.371 toneladas de amêndoas de babaçu, tendo-se em conta que naquela década ainda não existiam as modernas usinas de óleo hoje implantadas no município caxiense e em vários pontos do Estado, onde é acentuada a produção da aludida amêndoa”, citou a publicação.

INDÚSTRIA EXTRATIVA

Ainda com base ns publicação de Coutinho, no campo da indústria extrativa mineral Caxias do Maranhão avançou a passos largos a partir dos anos 40, elevando-se sua produção, pelas estatísticas de 1956, aos seguintes níveis de exportação: Pedra calcária — 55,6 toneladas; cal de pedra 4.66 toneladas; telhas de barro — 233 milheiros; tijolos de alvenaria —- 330 milheiros; ladrilhos para piso — 18 milheiros; potes — 5 milheiros; bilhas — 1 milheiro. No terreno extrativo vegetal a produção caxiense atingia os seguintes volumes :
Linhas de madeira — 88.000 m a : óleo de babaçu (bruto) 181.410 litros; cera de carnaúba — 46.668 kg; tábuas de cedro — 30.000 dúzias; toros de cedro — 90.000 ma ; barrotes —- 5.000 m; caibros — 50.000 m; toros de tipoca — 1.000 m3 ; lenha — 490.COO rn3 .

PECUÁRIA

A pecuária — origem da povoação continua em lugar de destaque na atividade econômica de Caxias, sendo de realçar a criação de gado vacum, que, segundo estimativas de 1956, contava o rebanho cerca de 55.000 cabeças. Essa cifra, na atualidade, acha-se multiplicada, com as modernas fazendas encravadas na zona rural do município, financiadas pe10s incentivos fiscais da SUDAM SUDENE. A criação de gado bovino até os anos 60 mereceu cuidados especiais das classes pecuaristas, encontrando, não obstante, como entrave, vastas áreas de terras áridas, como os chapadões peculiares a grande área do município caxiense, com vegetações rarefeitas, centenários piquizeiros e bacurizeiros infestarem aquele solo duro, seco e carente de tratamento adequado para se tomar produtivo.

A INDÚSTRIA

De acordo ainda com Coutinho em seus primeiros dias de vida o Arraial de Aldeias Altas iniciou alentado cultivo do algodão, que era exportado em fardos para as plagas da Europa, pelo Porto de São Luís, ou para os grandes centros do Sul, através do Piauí, Pernambuco e Bahia. Quase um século durou essa atividade econômica, sem que, por falta absoluta de fábricas, pudessem os produtores de Caxias ser beneficiados no local- Antes que a capital do Maranhão pensasse em instalar uma fábrica de tecidos, antecipava-se Caxias na inauguração de sua primeira indústria têxtil.
“Conta-nos Ribeiro do Amaral (O Estado do Maranhão em 1896) que a Empresa Industrial Caxiense se instalou com o capital de 400$000 rãs, sendo a primeira fábrica de tecidos que conhecera o Maranhão, Funcionava em um vasto edifício construído de pedra e cal e que iniciara o trabalho com 50 teares”, informa.

As dificuldades iniciais da empreitada teriam que ser superadas pela força de vontade de seus diretores, pois, diz-nos bem Ribeiro do Amaral, que na indústria que se tentava implantar “era tal a descrença de efetuar entre nós essa empresa, que nenhum capital veio então em seu auxílio, tendo a diretoria de tomar a si a responsabilidade da quantia que era necessária”.

A força de uma ideia longamente alimentada e o destemor dos diretores da Indústria Caxiense superaram aqueles obstáculos naturais a empreendimento de tal vulto e, assim, a fábrica foi inaugurada em 1883. Sua produção inicial foi totalmente absorvida pelos mercados consumidores, e os pedidos já se faziam por conta do que seria produzido futuramente. Logo no primeiro semestre ficou constatado que a Empresa não iria à bancarrota. E, decorridos os três primeiros anos de seu funcionamento, houve sensível ampliação do parque fabril para atender à demanda, que de boa se tornara excelente.

O resultado da feliz iniciativa animou São Luís e Codó, de sorte que, pouco tempo depois, congêneres dos pioneiros caxienses passaram a silvar às primeiras horas da manhã, chamando os operários ao trabalho, e dando ao vale do Itapecuru um novo matiz na linha de trabalho: a técnica substituía ao artesão e os caxienses passaram a conhecer o progresso que sibilava nas chaminés norte-americanas, acordando cedo em Caxias a geração da máquina a serviço do homem.

Um verdadeiro toque de magia despertou a então empobrecida cidade caxiense, reanimou-se o comércio, a agricultura sofreu incrementos, a produção de algodão atingiu cifras extraordinárias, com os compradores à porta do caboclo, a dinheiro contado.

USINA AGRÍCOLA CAXIENSE

Os fragmentos da publicação de Coutinho reúne também a visão de que o bom e o mau exemplo têm o condão humano de fazer prosélitos. No caso específico da demarragem caxiense no setor secundário, os seguidores de Dias Carneiro, um dos diretores da Fábrica, não se fizeram esperar. E assim, logo nas proximidades da Industrial Caxiense, surgia, também pioneiramente no Maranhão, nova indústria, a Usina Agrícola Caxiense, com o capital de 40 contos de réis, destinada ao fabrico de farinha, a vapor.
A Produção de farinha por aqueles modernos processos decuplicara, pois que substituídos a bolandeira, o caitetu e prensa de madeira pelas engrenagens rápidas e eficientes da máquina em operação a vapor.

COMPANHIA UNIÃO CAXIENSE

Com um capital de 850 contos de réis, a segunda fábrica de tecidos de
Caxias foi inaugurada em 1889, com a denominação de Companhia União Caxiense. Iniciou sua atividade pouco abaixo da fábrica pioneira, com a inovação de que dava ao consumo belos fardos de tecidos a cores.
Foi seu fundador e primeiro diretor o incansável Dr. Dias Carneiro, que teve por companheiros nessa outra iniciativa os comerciantes Antônio Joaquim Ferreira Guimarães e Manoel Correia Bayma do Lago.

Era a usina impulsionada por um motor de 400 cavalos, movido a vapor, que movimentava 220 teares, e onde operavam 350 trabalhadores especializados. Sua produção chegou à extraordinária cifra de 1 milhão só em tecidos crus. O Engenheiro Palmério Cantanhede participou desse grande empreendimento.

COMPANHIA DE ÁGUAS DE CAXIAS

O primeiro serviço de água encanada que teve Caxias data de fins do século XIX, e seu equipamento foi instalado no Igarapé do Ponte, de onde, por um sistema de bombeamento avançado para a época, era abastecida a cidade e suas principais indústrias.

O capital dessa empresa foi, inicialmente, de 80 contos de réis e, segundo depõe Ribeiro do Amaral (ob. cit.), a empresa fornecia água do riacho Ponte por meio de encanamentos. Sofreu, posteriormente, várias modificações, passando por vários regimes jurídicos, até que, no correr do tempo, o Estado, através da CAEMA, implantou um serviço de abastecimento de água na cidade, de regular funcionamento.

O COMÉRCIO EM FINS DO SÉCULO XIX

Povoação, Vila e cidade nascida pela força dos seus mercadores, Caxias guarda, há mais de dois séculos, uma invejável tradição comercial.
A princípio negociava com as praças do Piauí, Ceará, Goiás e Bahia, pois o burgo era uma espécie de porta de saída do Maranhão, rumo ao sul do Pais; igual atividade mantinha com a praça de São Luís, através do seu único meio de comunicação, o rio Itapecuru.
Já deixamos consignado que os artigos de mercancia mais finos utilizados na europa eram comercializados em Caxias ainda no alvorecer do século XIX.
Centro exportador de madeira, produtos de cerâmica, arroz, algodão, feijão, milho e farinha de mandioca, passou a vender a outras praças, a partir de 1883, produtos industrializados, como tecidos de várias espécies.

Escrevendo sobre sua terra, diria César Marques, em 1869: “Depois da capital, se não nos fascina o amor da terra natal, ocupa o primeiro lugar esta importante cidade, onde se pode viver cercado de todas as comodidades, porque aí existem casas de todo o gênero de negócio, vários estabelecimentos de diversos ramos de artes e ofícios, é a residência de alguns médicos e cirurgiões, tem três boticas, aulas públicas e particulares para instrução da mocidade de ambos os sexos, um pequeno teatro e até duas bandas de música marciais particulares, habilmente dirigidas”
O ilustre caxiense relata noutro tópico do seu Dicionário, após afirmar que se cultiva aí arroz e outros cereais, que “existem no município bastante engenhos de açúcar. Fabricam-se aguardente, açúcar, rapadura e mel em pequena escala” (p. 189).
Em 1896, já sob o efeito de sensível decadência económica, só atenuada pela presença das novas indústrias, Caxias ainda registrava em sua praga 57 lojas, 16 quitandas, 2 hotéis, 4 fábricas de charutos, 2 fábricas de cigarros, 2 de sabão, 5 funilarias, 2 lojas de calçados, 5 ferrarias, 2 fábricas de descaroçar algodão (sendo que uma delas era a vapor), 2 tanoarias, 2 padarias, 2 salgadeiras, 5 olarias maiores e 3 menores, 2 curtumes — onde se tratavam todas as espécies de pele para exportação — diversos talhos de carne verde, várias alfaiatarias e ourivesarias.
Por esse tempo (1890-96), duas tipografias rodavam na Princesa do Sertão, imprimindo materiais gráficos da melhor qualidade, e com estas mesmas oficinas imprimiam-se, igualmente, dois jornais: o Jornal de Caxias e A Gazeta, aquele circulando uma vez por semana, e esta, semanal.
Não era, pois, sem razão, que os historiadores maranhenses diziam que depois de São Luís, o ponto mais importante da Província era a cidade de Caxias, privilégio que ainda não perdeu, inobstante o surgimento de outros centros de progresso e desenvolvimento, como Bacabal, Santa Inês, Pedreiras, Coelho Neto, Timon e Imperatriz.

Imprensa

O Telégrafo, O Brado de Caxias, O Liberal Piauiense, O Tigre de Caxias, A Água Benta, O Bem-te-vi Caxiense, O Pharol de Caxias, O Echo Caxiense, Correio Caxiense, Jornal de Caxias, A Mocidade, Gazeta Caxiense, Jornal do Comércio, O País, O Binóculo, o Bloco, O
Mensageiro, Belo-Horizonte, O Sabiá, O Lilás, O Xereta, A Folha, Diário Caxiense, O Caxiense, O Cruzeiro, Voz do Povo, Outras Folhas circularam em Caxias.

ASPECTOS CULTURAIS

Berço de tantos varões ilustres no campo das Letras, das Artes e das Ciências, Caxias deu ao Maranhão e ao Brasil exemplos pioneiros de manifestações culturais.
Sendo verdade que, para qualquer manifestação do espírito, necessita-se de sólida base econômica, isto Caxias possuíra, desde os seus primeiros passos, na sua longa, tormentosa e extraordinária trajetória histórica.

A Vila granjeou, pelo labor dos seus naturais, logo no nascedouro, fama de burgo dado às boas coisas provindas do espírito, pois, se ainda em seus princípios, teve mestres do porte de letrados como os Jesuítas, e um Seminário que, segundo se conta, rivalizava com os melhores da época, é certo que aquela semente iria germinar no futuro, através de manifestações literárias, artísticas e científicas do melhor conceito.

TEATRO

Não é de causar espanto que já no ano de 1843 os caxienses inaugurassem o seu primeiro teatro, denominado Harmonia, aproveitando-se da espaçosa residência de propriedade do cidadão Manuel José Fernandes Bastos, prédio adaptado para aquela nobre e culta finalidade.
O Teatro Harmonia, que César Marques ainda conheceu e sobre ele escreveu em 1869, tinha 32 camarotes, em 2 ordens e, no centro, ficava a tribuna de honra, destinada ao Juiz de Direito da Comarca. A plateia era constituída de 120 cadeiras, e o grande palco.
Aí houve a apresentação do que melhor se podia falar entre as companhias teatrais da época, funcionando casa até o ano de 1870 quando a Sociedade que constituira foi fechada a Casa, abria seus portões apenas para alguma companhia por ali passasse.

Por volta de 1890 dava-se inicio construção de novo teatro, desta feita em prédio próprio, com a participação dos poderes públicos, e ficava situado na rua Aarão Reis. Sua capacidade era de 500 a 600 espectado:es, e pertencia sociedade denominada Phenix Dramática.

 

CORDEL

CAXIAS 200 ANOS (1823 – 2023)

Texto e fotos: Alberto Pessoa

Cantada em verso e prosa
Por Gonzaga, Gonçalves Dias
Bonita rebelde, formosa
A nobre Princesa Caxias
Nome que vem de uma flor
A flor do nascer do dia
Que se transformou em amor.

Época da independência:
A Vila mais importante
Desta província maranhense
Conquistou ricos comerciantes
Agricultores e viajantes
Também rumaram pra cá
Para na terra fértil plantar.

Final do século retrasado
Produzia-se tanto algodão
Que abastecia todo o País
Com o tecido do Maranhão
Fábrica gerando emprego
Concorrendo com São Luiz
O povo era até meio feliz.

Aqui era forte o comércio
“Tempo bom, áureo, confesso”
Mas com a crise veio a falência
Do parque têxtil, o produtor
No final da Segunda Guerra
A tecelagem aqui parou
Uma nova era então começou.

Caxias que era Aldeias Altas
Foi logo se modificando
E as partes de suas matas
Do lado direito do rio
Para outros foram ficando
No curso deste desafio
E a história foi passando.

No aglomerado de aldeias
Timbiras ,Gaunarés, Gamelas
Felicidade e muito mais…
Resistiam, se defendiam
Mas, os portugueses malvados
Muitos ainda lhes perseguiam
Mas pelos padres perdoados.

O fazendeiro foi chegando
E a Taba se desfazendo
E o gado foi penetrando
E os índios foram morrendo
Foi formada a corruptela
O homem Jesuíta preferiu
A margem esquerda do rio.

Para fundar a Trezidela
Com o nome de Nazaré
Fizeram a primeira Igreja
Para o povo era um sonho
Para o índio fortaleza
Timbira e Gamela ensejam
Na margem direita morar.

Mas os Jesuítas unificaram:
São José das Aldeias Altas
Outubro década de onze
O povoado vira a Vila
Mas somente no ano seguinte
Comunidade foi ouvida
E a área promovida.

Mas foi em cinco de julho
Daquele ano de trinta seis
Virou cidade de vez
Após águas limpas de junho
Entre Teresina e São Luiz
A cidade se tornou matriz
Um Pólo de desenvolvimento.

E uma força de pensamento
Polarizava essa região
E chegou a produzir
Muito arroz e algodão
Que eram exportados daqui
Em mil oitocentos e cinquenta
O quente comércio aqui fluía.

E a cidade já contava
Com a sua enorme freguesia
Muitas boutiques e comércios
Muitos gêneros se vendiam
Escola pública, particular
Teatro, e Bandas pra tocar
Porto das Pedras fluindo.

Barcos a vapor, Itapecuru
Chegando, trazendo, levando
Do norte, do oeste e do sul…
Mas depois a ferroviária
Veio mesmo para reforçar
Fazendo transporte da alegria
Com as riquezas para levar.

Com o progresso que se fez
A Quinta do Marques do Pombal
Deu o seu nome inicial
E finalmente por decisão
Pois o topônimo existia
Passou a se chamar Caxias
A flor Princesa do Sertão.

Porém a história não para
Segue com muito fervor
Entre guerra, sangue e amor
É ferida que nunca sara
Mas a Guerra da Balaiada
E foi no morro das Tabocas.
Que a batalha se acirrou.

Hoje, Morro do Alecrim
Lugar onde canhões falavam
Ecos de dor, sangue sem fim
Em meio à busca do ideal
Homens com arma lutavam
Fazendo o bem ou o mal
Os inocentes choravam.

Foi ainda naquele século
Trinta e oito a quarenta e um
Luis Alves de Lima e Silva
Calou o balaio revoltado
E por esse feito recebeu
Barão, Marques, honrarias
E depois Duque de Caxias.

Pela luta que empreendeu
Derrotou na guerra fria
Mas o Ideal do Balaio
Visto em flores de maio
Ainda vive hoje em dia
No valente Raimundo Gomes
E seu companheiro Francisco.

São estes grandes nomes
Pois nenhum deles foi omisso
Mas a revolta se espalhou
Pelo interior do estado
Com dez mil homens armados
Importantes locais conquistaram
Numa guerra triste, desgraçada.

Com muito sangue derramado
Mentes frias, desalmadas
O povo ordeiro de Caxias
Tem marcas das rebeldias
Age assim com inteligência
Relutou pra se render
Último na Independência.

Veio então o valente Fidié
Pra combater revoltosos
Armou o morro das tabocas
Mas na primeira tentativa
Não conseguiu vencer
Porém fez nova investida
Mesmo com o risco de morrer.

No dia vinte e três de maio
De mil oitocentos e vinte três
Portugueses e brasileiros
Travaram luta mais uma vez
Figueira venceu seu oposto
A independência se fez
No dia primeiro de Agosto.

Após sangue derramado
Muitas vidas dizimadas
E o coração desalmado
Pra tantos amores perdidos
Mas sitiantes e sitiados
Chegam finalmente ao acordo
Nascia uma nova Caxias.

Pela causa do Imperador
E pela vontade de todos
Independência e união
Para o povo viver feliz
Foi assim pregado na Matriz
Sob a tutela de Deus
No estado do Maranhão.

Para o progresso da Nação
Segundo nossos historiadores
Dois nomes são os destaques
Naquela máquina de lutar
São dois homens de glória
Era um civil e um militar
Que marcaram sua história.

João da Costa Alecrim
Que tinha coragem sem fim
E lutou pelo popular
Venceu a causa por amar
Tem seu nome nas escritas
Nas muitas linhas escritas
Que nunca vai se apagar.

O major Salvador Cardoso
Também foi grande mediador
Para a cega guerra virar paz
Para o ódio virar amor
A tempestade então passou
Nova esperança surgiu
Na independência do Brasil.

Também com longa agonia
E com a sua eterna alegria
Seus poetas, suas musas
Suas histórias confusas
Mas não me foge sua beleza
Nas águas turvas da Veneza
Nas marginais do destino.

E nas lembranças de menino
Henrique Coelho Neto
Antônio Gonçalves Dias
Eterno Vespasiano Ramos
Nossa maravilhosa poesia
Antiga fábrica de tecido
Que teceu o amor um dia.

Nos anos que se passaram
Sua majestade foi o refrão
De amantes que te amaram
De todo o seu coração
E que foi antes de ter sido
E guardou amor sem fim
Minha Princesinha do Sertão.

Brasília -DF

(Segundo alguns, o nome Caxias foi dado ao Município, em razão da existência em Portugal de uma freguesia com idêntica denominação, costume muito comum aos lusitanos da época.)

 

 

 

 

 

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