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Cientistas políticos dizem que população de São Luís não vê Eduardo Braide como bolsonarista

Para elas, no primeiro turno a tentativa era rotular tanto Braide quanto Duarte para favorecer Rubens Júnior

 

Por: AQUILES EMIR

As cientistas políticas Amanda Marques e Luciana Santana, do Observatório das Eleições 2020, que que conta com a participação de grupos de pesquisa de várias universidades brasileiras, em artigo publicado no UOL neste sábado (21), fazem uma análise sobre a eleição em São Luís e não enxergam aqui um embate entre “bolsonaristas” e “antibolsonaristas”, mas entre o governador Flávio Dino (PCdoB) e o deputado federal Eduardo Braide (Podemos), um dos candidatos deste segundo turno. Elas lembram que no primeiro turno Braide e o adversário, Duarte Júnior (Republicanos), foram rotulados de bolsonaristas, pelos aliados do governador, que agora apoia Duarte, mas insiste na narrativa.

As cientistas recordam que Braide, filho do ex-deputado estadual Antônio Carlos Braide, iniciou na política em 2010, quando foi eleito deputado estadual pelo PMN, tendo sido reeleito em 2014 e disputou a eleição de São Luís em 2016, “com uma candidatura que surpreendeu, mas ao fim perdeu no segundo turno para Edivaldo Holanda Júnior”. Eleito deputado federal em 2018, tenta agora, mais uma vez, ser prefeito da capital do Maranhão.

Já sobre Duarte Junior, lembram que o ex-presidente do Procon está no primeiro mandato de deputado estadual, eleito pelo PCdoB, em 2018, mas no começo deste ano migrou para o Republicanos, partido do vice-governador Carlos Brandão, a fim de ser candidato à Prefeitura.

Para as cientistas, a sucessão de São Luís chama a atenção porque, de alguma forma, refletirá não apenas no contexto de disputas internas que deságuam na sucessão ao governo estadual em 2022, mas numa possível candidatura de Flávio Dino à Presidência da República ou sua liderança em uma frente ampla no espectro da centro-esquerda.

“Diferentemente do comportamento que adotou no primeiro turno, o governador Flávio Dino entrou em campanha e, não apenas declarou apoio a um dos candidatos, no caso Duarte Júnior (Republicanos), mas também convocou todo o secretariado e bases de seu governo para turbinar a campanha do ex-presidente do Procon”, analisam.

Amanda e Luciana dizem que a estratégia adotada pelo governador foi de se manter neutro, no primeiro turno, mesmo com uma candidatura de seu partido, Rubens Júnior, que recebeu 10,58% dos votos.

No segundo turno, Flávio Dino apoia Duarte Júnior, do Republicanos

“Essa neutralidade deve-se ao fato de que a corrida pela Prefeitura de São Luís tornou-se uma prévia da disputa entre os grupos políticos que compõem a coalizão de Dino. De um lado, o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos, anteriormente PSDB) apoiando Duarte Jr. E de outro, o senador Weverton Rocha (PDT) apoiando Neto Evangelista (DEM), ex-secretário de Desenvolvimento Social e deputado estadual”, dizem.

Apostando na rejeição ao presidente Jair Bolsonaro em São Luís, que passa dos 50%, a segunda mais alta do país, atrás apenas de Salvador (BA), Flávio Dino engendrou narrativas de que tanto Braide quanto Duarte, devido às ligações nacionais de seus partidos, seriam bolsonaristas.

“A preferência do eleitorado por Braide e a alta aprovação de Dino podem parecer incoerentes se analisarmos a partir do diapasão bolsonarismo x antibolsonarismo. Mas, se olharmos para o fato de que a população ludovicense não associa Braide a Bolsonaro e que as múltiplas candidaturas do campo governista diluíram a transferência de votos do governador, faz bastante sentido o cenário que se desenhou”, observam.

“O discurso governista é de que Braide é o candidato de Bolsonaro na eleição, e portanto, seria esta uma disputa semelhante à eleição de 2018. Mas o que se percebe até aqui é que se trata de um embate entre Flávio Dino e Eduardo Braide, como já havia acontecido em 2016 na disputa entre Edvaldo e Braide. Entretanto, desta vez, o candidato apoiado por Dino é mais controverso e com alianças mais ambíguas do que as que foram construídas quatro anos atrás”, concluem.

*Ananda Marques é mestra em Ciência Política pela Universidade Federal do Piauí. É professora e pesquisadora dedicada a temas tais como políticas sociais na América Latina e coalizões no âmbito subnacional. Luciana Santana é mestre e doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais, com estância sanduíche na Universidade de Salamanca. É professora adjunta na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), líder do grupo de pesquisa: Instituições, Comportamento político e Democracia, pertence à Red Politólogas e atualmente ocupa a vice-diretoria da regional Nordeste da ABCP.

Com Informações: https://resenhamaranhense.blogspot.com

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