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MOMENTO DA HISTÓRIA: As peripécias do Tenente “no Cantinho do Céu”

Alberto Pessoa

O Aluízio Lobo morreu. Após comandar direto e indiretamente a política de Caxias por anos e anos, o tenente da reserva do Exército Brasileiro Aluízio de Abreu Lobo faleceu à beira dos seus 100 anos. Porém, Aluízio jamais desaparecerá da memória do povo de Caxias pela imensa contribuição política e administrativa que dera ao município.
Odiado por uns, amado por outros, o Tenente ou Tenente Aluízio, Avante, como era conhecido acabava sendo uma unanimidade, principalmente na política, onde volta e meia, os aliados e opositores batiam a sua porta no Cantinho do Céu, sua residência particular às margens do Riacho Ponte, próximo ao balneário Maria do Rosário. Iam sempre pedir “conselhos”.
Aluizio foi o maior político de Caxias, sendo considerado como o prefeito que de fato construiu a cidade, com a implantação de prédios públicos; postos de saúde, escolas, estradas, calçamento, asfalto, entre outras obras que ainda servem de testemunha ao tempo.
Confesso que pouco sei sobre a vida particular do Tenente, só os mais achegados, porém a sua relação política com o povo era notória.
Homem acostumado com estratégias de guerra chegou ao poder e de lá só saiu quando quis, pois não lhes interessava mais participar ativamente de um processo que se modernizava e vislumbrava outros horizontes.
Aluízio se manteve prefeito pela inteligência e tino político que emanavam de sua figura. Porém, sabia como lidar com os adversários e nessa lida sai-se sempre vitorioso. “Avante Aluízio Lobo, avante sem ter demora, tu és o candidato da vitória”, era seu jinge permanente que jamais sairá da cabeça dos caxienses.
E haja lendas sobre a forma em que o Avante conduzia a política, porém nunca ninguém provou efetivamente as acusações “mirabolantes”, dirigidas ao Tenente Aluízio. Certa vez, Aluízio escreveu na parede do comitê eleitoral, que ficava na Praça Matriz,com um pedaço de carvão, a seguinte frase: ” Política é fofoca e quem nela entra, dela jamais sairá”.
Nos últimos pleitos de sua vida, onde a eleição passou a ser direta, na base do voto, o Tenente teve de usar bastante de suas manobras para manter-se no poder. Com o afã de ganhar mais uma eleição, Aluizio não economizava marketing. Certa vez mandou adesivar milhares de caixas de fósforo com sua foto e mensagem, e, saiu a distribuir junto aos eleitores. Carrada de barro, areia, caibros, estaca, diabo a quatro… era seu forte, o eleitor sempre queria alguma coisa. Acho até que esse negócio de compra de voto começou ai… Em troca do voto o Tenente fazia qualquer negócio. Ao final, estava lá de novo, por cima da carne seca, montado na “viúva”.
A eleição era de Aluízio Lobo, a vitória era certa, de qualquer jeito. Aluízio era o dono do cartório eleitoral e diziam as más línguas que quando os votos estavam poucos, ganhava-se numa tal escrutinação.
Realmente o processo era rudimentar, as urnas de madeira e fundo de couro, eram trazidas da zona rural para Sede em lombo de animais, burro, jegue, cavalos… Reza a lenda que dezenas de urnas provindas da região do São do João do Sóter , ainda distrito de Caxias, chegavam sempre abarrotadas de votos em favor do Avante. Depois especularam que o homem mandava abrir a urna pelo fundo e manipular a votação, casos que jamais a justiça eleitoral confirmou. Eram as histórias mil sobre o prefeito Aluízio de Abreu Lobo, o construtor de Caxias.
Aluizio não morreu Caxias sempre será grata pela sua contribuição e certamente, agora, neste momento, Aluízio assiste quietinho a todas as manifestações políticas da cidade e sua influência, em um dos bancos do Cantinho do Céu.

Aluízio Lobo (foto: divulgação – Google Imagens)

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