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MOMENTO POÉTICO: Escritora de Caxias lança livro em Teresina

Ana Lucia Gonçalves

Às 18h desta sexta-feira, 06/12/2019, a professora e escritora caxiense Ana Lucia Gonçalves lança seu livro “Mosaicos”, de poemas e prosa poética. Será no auditório Maria Salomé Cabral, da Universidade Federal do Piauí, em Teresina.

Professora, graduada em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão, Ana Lúcia atualmente cursa Filosofia na UFPI, na capital piauiense.

Seu livro, “Mosaicos”, tem apresentação do poeta caxiense Quincas Vilaneto (Joaquim Vilanova Assuncao Neto) e prefácio (abaixo) de Edmilson Sanches, ambos da Academia Caxiense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias.

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“OS POEMAS TÊM, QUASE TODOS ELES, OS MESMOS PERSONAGENS. EXPLÍCITOS, SOMBREADOS OU OCULTOS, HÁ NOS POEMAS UMA MULHER PRESENTE E UM HOMEM AUSENTE. UMA MULHER QUE FAZ PERGUNTAS, QUE SENTE FALTAS, QUE EXPRIME DESEJOS, QUE RUMINA INSATISFAÇÕES, QUE REGURGITA NECESSIDADES. UMA MULHER PLENA DE PRIVAÇÕES — ROMÂNTICAS, AMOROSAS, SENSUSSEXUAIS…”

(Prefácio ao livro “Mosaicos”, da professora Ana Lucia Pinto Gonçalves)

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Estrear em livro não é mais estrear na Literatura. A primeira obra impressa não é mais coisa de noviço, iniciante.

Os tempos de hoje têm na Internet e seus “sites” e seus “blogs” e suas redes sociais, e outros espaços mais, os primeiros — e, às vezes, únicos — ambientes de recepção, documentação e disseminação de trabalhos literários.

As poesias de Ana Lucia Pinto Gonçalves começaram a ser vistas e lidas a partir de um ambiente virtual desses. O acompanhamento e os comentários de seguidores das denominadas “postagens” poéticas estimularam a autora a pensar em enfeixar seus trabalhos literários no mais charmoso e mais “histórico” — mas não necessariamente o mais acessível — dos suportes de textos: o livro. Este livro. “Mosaicos”.

Estes poemas têm, quase todos eles, os mesmos personagens. Explícitos, sombreados ou ocultos, há nos poemas uma mulher presente e um homem ausente. Uma mulher que faz perguntas, que sente faltas, que exprime desejos, que rumina insatisfações, que regurgita necessidades. Uma mulher plena de privações — românticas, amorosas, sensussexuais…

Paradoxalmente, a ausência na personagem é a razão de ser do poema. O poema existe porque algo não existe.

Desejo e decepção, busca e negação. Por quantas mulheres falam os poemas? Para quem falam?

Cada leitor pode ter sua própria resposta. Para uns, Ana Lucia é a porta-voz das mulheres da vida real, repletas de incompletudes sentimentais. Mas, ao tempo em que fazem o diagnóstico emocional, os poemas igualmente sugerem “tratamento” natural, à base do retorno de doses — fartas, férteis, fortes doses — de amor.

O poema “De Repente” parece querer “falar” por todos, ou por tudo:

“Por que, tão de repente, tudo mudou?
tudo apagou?
tudo acabou?
Olhares que já não se fixam
Bocas que já não se beijam
Corpos que já não se encontram
De repente, um sonho destruído
De repente, um rosto esquecido
De repente, um coração desiludido
De repente, tudo virou passado
Tudo ficou errado.”

Mas não conte o homem com a devoção, o amor ou a busca eterna por ele. “Avant la lettre”, vai chegar o momento em que a mulher, ou a poeta, reconhecerá que “teu querer não tem ternura” e que “amar-te é má sorte, / é presságio de desventura”. Aí, quando a mulher, ou a poeta, está segura de que “[…] não te quero mais”, o que faz?

“Enxugo minhas lágrimas
Em algum poema
Que te fiz um dia.”

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Assim, com um belo achado poético, acha-se a saída para um amor que não dá mais…

Outras vezes, em um poema, ou sonho (“irresistível”), embora o inesquecível de uma paixão, a sublimidade de um beijo ou a doçura de um olhar, resta alertar, fazer despertar (para a vida? para o amor?):

“Abra os olhos
O sol nasceu
Levanta-te,
já amanheceu.”
(“Ilusão”)

Há momentos em que a poesia analuciana fala fixamente para a mulher, maiusculamente FÊMEA, “de vida sofrida”, que “gerou, nutriu e pariu / a própria vida” (“Mulher”).

Às vezes, mesmo quando “clamam pelo amor”, há versos que prescindem da presença de algo ou alguém e apenas buscam o “[…] sonho / de dormir em paz” (“Sonhos Estranhos”).

Sobre o título de seu livro, conta-me a autora que “Mosaicos” “são peças móveis que mudam de lugar o tempo todo. É um jogo que nunca acaba. Nem na vida, nem na arte. Um todo que nunca será concluído. Porque sempre existiu.”

Sendo “peça” ou “jogo”, um “todo” ou um “continuum”, sendo um vir-a-ser ou um ser-a-vir, sendo um meio para perguntas ou respostas, ou veículo para o que clama ou ama, repositório de certezas ou reflexões, os poemas de “Mosaicos”, como ladrilhos intercambiáveis, pastilhas mutáveis no (uni)verso, esforçam-se para situar um “corpus” em um “locus”. O poema “Parte de Mim” justifica e pergunta:

“[…]
Procuro uma palavra
que possa rimar
o meu mundo
e o mundo
em que preciso estar.
Será que um verso
pode amarrar

para não mais perder
o que quero encontrar?”

“Mosaicos” traz amor e desamor, realidade e sonho, fala e mudez, vontade e apatia, o antes e o agora, silêncio e grito, sensualidade e sexualidade, Éros e Thánatos, “bios” e “páthos”. Um não sobrevive sem o outro. E a autora não quer eliminar nenhum.

Pois, como se vê, em Ana Lucia Pinto Gonçalves a rima (e não o desvio), a aproximação (e não a apartação) entre dois mundos, diferentemente da constatação drummondiana(*), seria a solução…

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FOTO: Edmilson Sanches, Jorge Gonçalves e Ana Lúcia

EDMILSON SANCHES

Fotos: O livro “Mosaicos”, a autora Ana Lucia Gonçalves e o editor Edmilson Sanches.
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(*) Referência ao “Poema de Sete de Faces”, de Carlos Drummond de Andrade: “Mundo mundo vasto mundo, / se eu me chamasse Raimundo / seria uma rima, não seria uma solução. / Mundo mundo vasto mundo, / mais vasto é meu coração.”

Com Informações: EDMILSON SANCHES

 

 

Categoria: Notícias