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MOMENTO POÉTICO: PROCURA-SE COELHO NETTO

Por: EDMILSON SANCHES

Na busca de notícias de familiares e herdeiros do escritor Coelho Netto, conversei com o maranhense (de Brejo) Tobias Pinheiro, no Rio de Janeiro. Tobias, à época o rijo jornalista e escritor setentão, que vive há décadas no Rio de Janeiro, ele e sua mulher, dona Ozita (que certa vez, em seu apartamento, na Barra da Tijuca, me brindou com um prato de favas, no jantar. Parece que ela adivinhava que eu gostava de favas.) Tobias é também um polígrafo, uma enciclopédia viva, uma memória admirável. Disse-me que teve contatos com Violeta, irmã de Coelho Netto, e dona Zita, filha, esta que congregava na mesma igreja da mulher dele, Tobias. Mas, melancolicamente, Tobias Pinheiro disse-me que não teve mais contatos com eventuais descendentes ou familiares do “Último dos Helenos”. Informou que os familiares de Coelho Netto moravam em Laranjeiras, lá mesmo na capital carioca.

Falei com outro grande escritor maranhense, pesquisador de nomeada, autor de obra monumental sobre Gonçalves Dias — Jomar Moraes, na época presidente da Academia Maranhense de Letras. Mas, apesar da boa-vontade, Jomar (falecido em 2016) também não tinha mais elementos.

Foi aí que me lembrei de Josué Montello e também de José Louzeiro, ambos grandes escritores maranhenses que vivem no Rio.

Em um final de agosto, pouco depois do meio-dia, conversei longamente com o Josué Montello, depois de, na noite da véspera, eu ter incomodado dona Ivone, sua esposa, que lamentou o fato de seu marido já ter se recolhido mais cedo que de costume, em função de uma solenidade da qual ele viera, muito cansado, como é de seu direito natural estar (Josué de Sousa Montello, maranhense nascido em São Luís em 21 de agosto de 1917, faleceu no Rio de Janeiro, em 15 de março de 2006).

Montello já superara a sesquipedálica obra de Coelho Netto: igualmente polígrafo, escreveu mais livros e — disse-me – tinha pelos menos uns cinco na boca do forno, para impressão, e outros já desenhados na cabeça. Mas Josué Montello, que tanto sabia de coisas e loisas do mundo intelectual (como o registram seus diversos “Diários”) não sabia de familiares de Coelho Netto. Disse que Coelho Netto se afastou muito da Academia; que a obra de Coelho Netto ficara em silêncio depois da morte do autor; que o editor Ênio Silveira (da Civilização Brasileira) reeditou dois títulos de Coelho Netto, mas não houve repercussão; que tanto o Paulo Coelho Netto (que era quem cuidava da obra do pai) e uma filha ou familiar, que era cantora (deve ter sido a filha Violeta Coelho Netto), morreram… Enfim, não teve mais notícias de herdeiros do escritor caxiense.

Antes de conversar com Josué Montello, eu havia falado com dona Zezé, da secretaria da Academia Brasileira de Letras. Disse-me ela que, depois que um acadêmico morre, normalmente cessa a movimentação administrativa em torno dele. Era o caso de Coelho Netto. Não havia registros de endereço(s) ou familiares.

Restou-me continuar a procura, ou esperar. Tinha de descobrir alguém que fosse o responsável legal pelo espólio de Coelho Netto. Saberiam sobre isso o José Louzeiro e outras fontes, como o ex-reitor da Universidade Estadual do Maranhão, Jacques Medeiros, ex-presidente da Academia Caxiense de Letras (ACL)? O desembargador Arthur Almada Lima Filho, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias? O Rodrigo Otávio Baima Pereira, memorialista e arquivador-mor das coisas de Caixas? O poeta Renato Menezes, ex-secretário de Cultura de Caxias? O Wybson Carvalho, à época presidente da ACL? O Jorge Bastiani, o Jotônio Viana, além de outros representantes da velha guarda intelectual caxiense?

Coelho Netto constituiu família no Rio de Janeiro, para aonde foi aos 6 anos de idade e onde está enterrado, no cemitério São João Batista. Foi Coelho Netto quem disseminou o título de “Cidade Maravilhosa” para o Rio de Janeiro e, também, o nome de “Cidade Verde” para Teresina. Ainda tenho foto e lembrança da casa onde, em Caxias, nasceu Coelho Netto, local que de há muito é sede do Centro Artístico Operário Caxiense, na rua Coelho Netto — na verdade uma ruazinha, de poucos metros, um quarteirão só, bem no centro da cidade que é “Princesa do Sertão”.

Portanto, fui ao encalço dos familiares e herdeiros do escritor caxiense Henrique Maximiano Coelho Netto, o “Príncipe dos Prosadores Brasileiros”.

Eu sabia que seus descendentes não poderiam ter desaparecidos. (CONTINUA)

edmilsonsanches@uol.com.br

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