Repasse Informativo | Marcos Monteiro - Repasse Informativo Caxas-MA, O Blog do Marcos Monteiro.

A multiplicação dos peixes em Alcântara – (Aventura no litoral do Maranhão)

Por: Alberto Pessoa- Poeta e cronista

Foto: divulgação

Fundada em 22 de dezembro de 1648, e distante 22 quilômetros da capital, Alcântara está entre as mais antigas cidades maranhenses, precedendo até mesmo a capital do Estado – São Luís. Considerada a segunda cidade mais importante do Estado, Alcântara foi o berço da aristocracia rural maranhense dos séculos 18 e 19. Ali estão guardados retalhos vivos da história da nação.

Foto: divulgação

No início da década de 80, o município foi escolhido para sediar o CLA – Centro de Lançamento de Alcântara. A escolha do município para receber o Centro de Lançamento se deu em razão de sua privilegiada posição geográfica (entre as baías de São Marcos e Cumã),permitindo um baixo custo de lançamento de foguetes por sua proximidade da linha do Equador.

Resultado de imagem para foto do pelourinho de alcantara-ma

Foto: divulgação

 Porém, antes a acidade era considerada um local paradisíaco, o antigo berço da aristocracia rural maranhense dos séculos 18 e 19. Lá estão guardadas histórias de uma nação em crescimento. Alcântara era procurado por turistas de todo o mundo que buscavam um pouco de tranquilidade. Artistas brasileiros como Chico Buarque, Caetano e sua trupe e internacionais como Janes Joplin, James Hendrix, entre outras estrelas também teriam visitado a cidade histórica.

Resultado de imagem para foto do pelourinho de alcantara-ma

Foto: divulgação

Era um sonho dos jovens da época buscar em Alcântara um ambiente de paz. Foi com esse intuito que um grupo de amigos e amigas saiu de Caxias para “curtir” a antiga cidade maranhense. Era uma aventura chegar ao município. A opção era embarcar nos barcos ou catamarãs em São Luiz. Por Terra não havia estrada de acesso para os visitantes. A viagem durava cerca de uma hora e meia e o barco, sempre superlotado, transformava o trajeto em grande expectativa e medo. Após aquela “via crucis” marítima finalmente desembarcamos.

Resultado de imagem para foto do pelourinho de alcantara-ma

Foto: divulgação

Arranjamos uma casa para ficar e no dia seguinte, ainda cedo já estávamos ouvindo as histórias da cidade. Visitamos o museu com muitas peças de ouro e artefatos da época da escravidão, em um casarão que abrigou as famílias do Barão de Mearim, um dos homens mais ricos da história maranhense, e de Jerônimo Viveiros, um poderoso político do estado. Objetos diversos deixados pelos barões da cidade, entre outros. Conhecemos uma cadeia ou calabouço para onde eram levados os presos políticos e os malfeitores em geral. Ouvimos sobre as lendas, histórias religiosas e políticas. Apreciamos construções dos séculos 17, 18 e ruas de pedras que ainda hoje servem de testemunhas e heranças históricas. A culinária à base de frutos do mar também encanta os turistas.

Foto: divulgação

No segundo dia resolvemos ir à praia e descemos para uma que fica nas proximidades do Farol. Logo chegamos, caminhamos mais um pouco naquela imensidão desértica e quando ensaiávamos os primeiros mergulhos, observamos um pescador que jogava sua tarrafa pela praia aproximar-se para dizer que não era aconselhável o banho ali pois naquele momento tinha caçote ou filhote de tubarão no mar e até mostrou as feras para a gente. O bom nativo também informou que logo a maré iria encher e provavelmente iriamos ficar ilhados até a próxima vasão, doze horas depois. Aí ficamos sem entender nada e começamos a ajudar o pescador, o qual aproveitou a presença dos cações e que empurravam os cardumes de sardinhas para a praia, proporcionado uma pescaria farta, enchendo dois grandes cofos de peixe.

Resultado de imagem para fotos de cesto cheio de  peixe sardinhas

Foto: divulgação

Pensando no almoço e cobiçando os peixes do rapaz o ajudamos a levar aqueles cem quilos de sardinha até a sua casa. Ganhamos alguns, porém o maior favor ele já tinha feito: nos livrou das presas dos tubarões do mar de Alcântara.

Hoje, a cidade tem seus projetos sob a vigília das forças nacionais e internacionais. Em 1988 foi elevada ao posto de Cidade Monumental pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e dividida em áreas de conservação e preservação rigorosa. Muitas atrações ainda atraem turistas a Alcântara: são o Festival de Música Barroca de Alcântara, que acontece geralmente no mês de julho, e o tradicional festejo do Divino Espírito Santo, realizado todos anos 40 dias após a Páscoa.

Brasília 14 de fevereiro de 2018

Foto: divulgação

 

Categoria: Sem categoria

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatório são marcados *

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.