Entre o asfalto e o ostracismo: Quinta colocada na disputa pelo Senado, Eliziane Gama queima os últimos cartuchos na campanha de Lula para tentar estancar sangria política e evitar o isolamento total no Maranhão.
foto: (reprodução)
Por: Marcos Monteiro
O primeiro turno das eleições de 2026 impôs uma realidade brutal à senadora Eliziane Gama (PT) e redesenhou, à força, o tabuleiro político do Maranhão. Ao despencar para a quinta colocação na disputa pelo Senado, a parlamentar perdeu o direito de renovar seu mandato. O eleitorado maranhense deu o recado e entregou as duas vagas do estado a Andre Luiz Carvalho Ribeiro (PP) popularmente conhecido como Fufuca e Lahesio Rodrigues do Bonfim (NOVO). O sinal de alerta na biografia de Eliziane não está apenas ligado; ele está estridente. Sem o foro e a vitrine do Congresso Nacional a partir de 2027, ela enfrenta o pior pesadelo de qualquer líder político: o risco real do ostracismo.
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É sob a sombra do isolamento que a senadora tenta, agora, reescrever seu destino em tempo recorde. Em vez de se recolher para lamber as feridas da derrota, Eliziane jogou-se de cabeça na campanha do segundo turno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas não se engane: a hiperatividade da parlamentar nas ruas vai muito além do projeto nacional do PT. Trata-se, fundamentalmente, de uma estratégia desesperada de sobrevivência e manutenção de território.
A grande incógnita que ronda os bastidores de São Luís é clara: o suor gasto no asfalto pró-Lula será suficiente para mantê-la viva politicamente quando as luzes de seu mandato se apagarem?
O Divórcio das Bases e a Queda do Altar
Ficar em quinto lugar não foi um mero acidente de percurso; foi um revés pedagógico para quem já desfrutou do topo do poder estadual. Mais do que perder uma eleição, o resultado expôs o esfacelamento de suas estruturas tradicionais.
Nos bastidores, a leitura é unânime: Eliziane pagou o preço cobrado pelo eleitorado evangélico, segmento que historicamente pavimentou sua trajetória e que, desta vez, cobrou a conta de sua guinada integral ao petismo. Sem essa base fiel e sem a máquina do Senado nas mãos, a força de articulação da parlamentar minguou. Para não sumir do mapa, ela precisa urgentemente de um novo oxigênio político. E o tempo está correndo contra ela.
O Tudo ou Nada nas Ruas de São Luís
A reação de Eliziane foi um movimento de guerrilha política. Ela sabe que o silêncio, neste momento, equivale ao sepultamento de sua relevância pública. Por isso, a senadora passou a apostar no corpo a corpo agressivo com a militância, estudantes e movimentos sociais, tentando provar que ainda mantém poder de mobilização.
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O Fato: Na sexta-feira (9), a parlamentar liderou uma caminhada enérgica com estudantes da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), arrastando a militância pelas avenidas da Cidade Operária, na capital.
Os Bastidores: Na noite anterior, quinta-feira (8), ela esteve trancada com a cúpula do PT e movimentos de esquerda, cobrando empenho total e desenhando táticas de panfletagem.
A agenda cumpre um duplo papel: publicamente, é a entrega de lealdade ao projeto de Lula; internamente, é um escudo para evitar que a derrota de 4 de outubro se transforme em um exílio político permanente.
Cartada de Lula: Salvação ou Ilusão?
A partir de agora, o futuro de Eliziane Gama está umbilicalmente amarrado ao resultado das urnas presidenciais. Uma vitória de Lula é a sua tábua de salvação. Caso o presidente se reeleja, o Palácio do Planalto pode recompensar sua fidelidade tardia com um ministério, um cargo de primeiro escalão ou uma posição estratégica que a mantenha influente em Brasília e forte para negociar o Maranhão em 2028 ou 2030.
Porém, essa rota está longe de ser um porto seguro. A engenharia de cargos do governo federal depende de acomodações partidárias complexas, e promessas em política costumam evaporar com rapidez. Para piorar, se o cenário nacional for de derrota para a esquerda, o tombo será duplo. Sem o governo federal e sem mandato no estado, a margem de manobra de Eliziane será drasticamente reduzida.
A Linha Tênue Entre o Recomeço e o Fim
O maior teste de fogo de Eliziane começa quando a apuração do segundo turno terminar. Perder eleições faz parte do jogo dos grandes líderes, mas perder o controle sobre o próprio grupo político costuma ser um caminho sem volta. Sua vasta experiência parlamentar e os canais abertos em Brasília ainda são ativos valiosos, mas ativos políticos sem voto e sem mandato depreciam rápido no mercado do poder.
Os passos de Eliziane na Cidade Operária mostram que ela não vai cair sem lutar. Mas a pergunta que o Maranhão se faz neste momento é direta e desconfortável: Eliziane Gama conseguirá transmutar esse revés no capítulo mais resiliente de sua história, ou estamos assistindo ao início do processo que a retirará em definitivo do epicentro das decisões do estado?
A resposta não virá dos discursos inflamados no carro de som, mas sim da sua capacidade real de reconstruir pontes com o eleitorado que a abandonou.
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