O jornalista passou a ser alvo de uma investigação da Polícia Federal após divulgar reportagens denunciando suposto uso irregular de veículos oficiais do TJ do Maranhão por familiares de Dino.

Por: Kauwany Araújo
Nessa terça-feira (11), o jornalista Luís Pablo se pronunciou, através de suas redes sociais, sobre a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário de Estado Raimundo Cutrim, apontado como a fonte dele em reportagens feitas contra o ministro da Corte, Flávio Dino.
O jornalista passou a ser alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF) após divulgar reportagens denunciando suposto uso irregular de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino.
Em seu pronunciamento sobre o caso, o comunicador revelou preocupação com os rumos dessa apuração e ainda descreveu a situação como uma tentativa de criminalizar o exercício da sua atividade como jornalista.
“Eu sou jornalista, fiz uma denúncia de interesse público, apresentei documentos, apresentei imagens e mostrei o uso irregular de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino. Mas o fato que eu denunciei não foi investigado. Quem passou a ser investigado fui eu”, afirmou.
Luís Pablo destacou que a decisão do STF visa tentar atribuir uma conduta criminosa a ele.
“Minha fonte jornalística foi identificada, minha vida privada passou a ser vasculhada e agora fatos e revelações particulares que não têm qualquer ligação com as minhas reportagens estão sendo usados para tentar me atribuir uma conduta criminosa. Existe algo ainda mais grave. O efeito de tudo isso é destruir profissionalmente um jornalista. Depois que uma fonte é identificada dentro de uma investigação, quem vai se sentir seguro para me procurar para entregar uma informação? Como eu vou preservar as fontes que construí durante anos de profissão se elas passam a ter medo de também serem identificadas e investigadas?”, questionou.
Entenda o caso
Nessa terça-feira (11), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário de governo do Maranhão, Raimundo Cutrim, em investigação que apura a suposta perseguição ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A operação policial foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes a pedido da PF e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.
De acordo com a PF, as informações utilizadas para produzir a reportagem foram repassadas por Raimundo Cutrim. As autoridades chegaram a esta conclusão após acessar a conta de WhatsApp Web de Luís Pablo em um notebook apreendido na casa dele em março deste ano, quando o jornalista também foi alvo de busca e apreensão.
Raimundo Cutrim é um delegado aposentado da Polícia Federal, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão e ex-deputado estadual. Além disso, ele foi secretário de Estado do governador Carlos Brandão.
A PF aponta que ele teria utilizado o cargo público para conseguir, em sistemas de acesso restrito, informações sensíveis e imagens dos veículos do TJ-MA.
O caso segue sob investigação.
Com informações: https://www.viagora.com.br//VIA G1
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