Iracema Vale disputará mandato federal, o mesmo caminho a ser seguido por Fabiana Vilar, Fernando Braide, Mical Damasceno e Yglésio Moises
Confirmado: a deputada Iracema Vale (MDB), presidente da Assembleia Legislativa, vai disputar uma cadeira na Câmara Federal. Ela anunciou sua decisão ontem, em pronunciamento na Assembleia Legislativa. A explicação é simples: a parlamentar ganhou uma dimensão política muito grande para permanecer no parlamento estadual, para o qual seria reeleita com facilidade, mas colocaria em risco o capital político que acumulou desde 2022, quando saiu das urnas como campeã de votos e logo em seguida se tornou a primeira mulher a presidir o Poder Legislativo em dois séculos.
O pronunciamento se deu no dia em que o pré-candidato do MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão (MDB) confirmou o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PRD) como seu vice. Ao mesmo tempo, com a definição, Iracema Vale sai do xadrez que envolve a vaga de pré-candidato a senador em discussão no MDB, deixando o caminho livre para deputada federal Roseana Sarney (MDB), que deve desembarcar em São Luís até o final da semana para decidir se será ou não candidata ao Senado.
Foram meses de expectativas e previsões “furadas” no meio político em relação ao futuro da presidente da Assembleia Legislativa. Ela manteve o discurso nada convincente de que seria candidata à reeleição, quando na verdade até as paredes do Palácio Manoel Beckman sabiam que ela estava trabalhando para encontrar o caminho para o seu futuro nas eleições de outubro. Sem nada dizer sobre o assunto, e movida pela certeza de que não seria candidata à reeleição, foi lembrada para o Governo quando Orleans Brandão era apontado como nome certo para a Câmara Federal, esteve na lista do Palácio dos Leões para uma das vagas no Senado, e foi tida como nome certo para vice de Orleans Brandão, solução da qual declinou.
A definição ganhou corpo no último fim de semana, quando ela declarou apoio à pré-candidatura da primeira-dama de Paço do Lumiar, Maedja Campos (PDT), à Assembleia Legislativa, confirmando que o seu caminho seria a Câmara Federal.
No discurso de ontem, Iracema Vale se dobrou ao realismo para reconhecer que a reeleição para a Assembleia Legislativa não faria sentido por causa do tamanho político que alcançou ao se tornar presidente do Poder Legislativa e ocupar um amplo espaço de liderança na base governista. Não fez qualquer referência às citações do seu nome para o Senado e para vice, revelando que decidiu disputar mandato federal após conversar com sua família e com amigos e aliados.
– Entendi que chegou o momento de ampliar o meu trabalho. Não para iniciar uma nova história, mas para continuar a nossa missão. (…)Sinto que chegou o momento de levar a nossa voz, a nossa força e as nossas necessidades para o centro das decisões nacionais. (…) Eu sigo com a confiança de quem sabe que o trabalho dignifica e que a política, quando pé feita com honestidade de propósito e espírito público é o instrumento mais potente de transformação – declarou, tendo sido em seguida aparteada por mais de uma dezena de deputados, todos louvando sua iniciativa.
Com a presidente Iracema Vale, a Assembleia Legislativa terá cinco deputados buscando cadeira na Câmara Federal. Os outros quatro são Fabiana Vilar (PL), escolhida para a substituta de Josimar de Maranhãozinho em Brasília; Fernando Braide (PSD), irmão do pré-candidato do PSD ao Governo do Estado, Eduardo Braide; Mical Damasceno (Republicanos), que pretende engrossar a falange evangélica da Câmara Baixa; e Yglésio Moises (PRD), um quadro político de alto nível, que saiu do centro-esquerda para se tornar um partidário feroz da direita bolsonarista.
No meio político, diferentes avaliações indicam que, dos cinco, o projeto menos consistente é o da deputada Mical Damasceno.
Com Informações: Repórter Tempo
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