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De idiotas e patriotas

AO LONGO DOS TEMPOS, TANTAS PERGUNTAS… QUANTAS DECEPÇÕES… NENHUMA RESPOSTA…

Ilustração: Péricles, estadista grego.

 

Que segredos tem a Política, que forças guarda o Poder, de que relações corruptas se compõe o “Sistema”, do federal ao municipal, a ponto de transformarem políticos bem-intencionados em negocistas mal-afamados?

Péricles é o nome de um estadista nascido na Grécia, 495 anos antes de Cristo nascer. Foi líder do partido democrático de Atenas, foi eleito e reeleito várias vezes, acumulando a administração civil e militar ateniense. Sua terra, sob seu governo, alcançou a maior projeção política, econômica e cultural em toda a sua história.

Péricles foi consagrado como a maior personalidade política do século 5 antes de Cristo. Tão profundamente marcante foi sua participação na vida de sua comunidade que o tempo em que ele viveu foi denominado “O Século de Péricles”.

Foi esse político de antigamente — e já não se constroem mais políticos como antigamente – que inventou a palavra “idiota” e a aplicou aos habitantes da cidade que só se preocupavam com seus próprios negócios, com os assuntos privados, os interesses particulares, suas próprias coisas. A palavra “idiota” vem daí, já que, em grego, “ídios” significa “particular, privado, separado”.

Desse modo, “idiota” não é propriamente aquele que é tolo, ignorante, estúpido. Idiota é o a pessoa que só quer saber de seus próprios interesses, não está nem aí pro resto. Pode-se dizer, assim, que, numa comunidade, existe o IDIOTA (o que só cuida de si) e o PATRIOTA (aquele que se preocupa também com a terra em que está, aquele que ama a terra em que vive e a ela presta relevantes serviços, de interesse coletivo, de espírito comunitário).

Uma cidade precisa que seus idiotas se transformem em patriotas. De estudantes que não estudem só para “passar” e ter um diploma ou certificado, mas para compreender sua terra e sua gente e com ela dividir o produto de seu aprendizado e o resultado de seus esforços pessoais e profissionais.

Uma cidade precisa que seus idiotas procurem ser mais patriotas. Precisa de mais empresários e empreendedores que não busquem no apoio a candidatos, na vida política e nos cargos públicos apenas mais o fortalecimento do próprio ego, a ampliação de seus próprios negócios, os salamaleques da proximidade ao poder e uma certa “blindagem” política contra eventuais ações fiscais, tributárias e, até, criminais.

Toda comunidade precisa que certos idiotas demonstrem verdadeiramente que são patriotas. Precisa de gestores que utilizem a política para fazer Administração Pública. Mas não precisa de gente que use a administração pública para fazer política — nem fazer crescer seu patrimônio pessoal ou grupal.

Toda comunidade precisa que incertos idiotas demonstrem que são, em espírito e carne, aquilo que destilam em tese: patriotas. Que, à luz do poder do dinheiro e do dinheiro do Poder, não facilitem nem permitam a construção, por formas diversas, transversas, de “pequenos” e grandes desvios que beneficiam uns e outros e são pecados aos olhos da Lei de Deus e do deus-Lei.

Que segredos tem a Política, que forças guarda o Poder, de que relações corruptas se compõe o “Sistema”, do federal ao municipal, a ponto de transformarem políticos bem-intencionados em negocistas mal-afamados?

Que idiotices (isto é, que interesses pessoais) tão fortes escondem-se na alma de políticos vencedores a ponto de se transformarem em meros mercadores das expectativas humanas, em desgraçados dilapidadores de recursos públicos?

Por que é que, em geral, um político com mandato sempre parece acumular mais bens privados e nunca nos convence de que não se serviu do Bem público?

Que criatura é essa, a Política, que se torna maior que seu criador, o ser humano, e o deforma?

Que fome é essa que se instala, que voracidade é essa que se amplia e que cinismo é esse que a tudo anestesia, enquanto a corrupção, como rotundo rato roedor, vai roendo e rindo, roendo e rindo, roendo e rindo?…

Por que é que, em nome da Política, as pessoas de Bem já não mais estranham a apropriação, a malversação, o desvio, a concussão e todos os demais crimes dos estelionatários de mandatos? Que tendência é essa rumo à passividade, ao comodismo, à aceitação do que não presta, do que não é bom e útil para todos de uma comunidade, de uma Nação?

Que falta de espírito de luta, de exercício dos próprios direitos e deveres, que ausência de combatividade, que estranha omissão, que conveniente desinteresse é esse pelos destinos de sua terra?

Quanto excesso de idiotia e quanta carência de patriotismo!…

Uma comunidade em que pessoas se preocupam mais ou apenas com seus negócios, seus interesses, sua própria vida, é uma comunidade que favorece o surgimento de falsas lideranças, o aparecimento de déspotas travestidos de santos, e favorece a instalação de oligarquiazinhas e grupelhos alimentados e, seguidamente, adubados pelos próprios recursos públicos, que deveriam retornar mais, melhor, e integralmente, para todos.

Toda comunidade tem direito a um sinal de alerta, um botão de alarme, uma buzina de despertar. Mas, para isso, as pessoas têm de se interessar mais pelas outras pessoas.

É preciso que um maior número de pessoas se envolva conscientemente, verdadeiramente, com as coisas e causas de sua comunidade. Que ajam e reajam. Que não se desliguem, que se informem, que criem condições para não deixar que aquilo e aqueles que não prestam não se plantem em nosso chão, não prosperem em nossa terra.

É preciso ter menos idiotas.

É urgente ser mais patriota.

EDMILSON SANCHES
edmilsonsanches@uol.com.br
Administração – Comunicação – Desenvolvimento – História – Literatura // PALESTRAS, CURSOS, CONSULTORIA

Ilustração: Péricles, estadista grego.

(ATENÇÃO: O texto acima não particulariza a Política, nem partidária, nem eleitoral, nem ideologicamente. É só uma pensata, que, à maneira de diversos outros trabalhos, é atividade própria de cidadãos e cientistas das ditas e tidas Ciências Sociais e Ciências Humanas, já abrigadas pelo conceito técnico de “Ciências” e das quais a História, a Sociologia, a Antropologia, a Comunicação Social, a Administração e outros conjuntos de conhecimentos organizados fazem parte.)

Categoria: Notícias