BENEDITO ESDRAS MUNIZ
(07/08/1951 –25/02/2021)
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Quem diria que, exatos 54 dias depois de me enviar uma foto passando os dias de Ano-Novo em águas de São José de Ribamar (MA), o conterrâneo Benedito Esdras Muniz partiria ao encontro da esposa Helena para ambos navegarem em oceanos celestes?
E o que sabemos nós, humanos, da data de partida para o outro lado da vida? Pois, como está em Mateus (13,11), não é a todos dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus…
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Nascido em 07 de agosto de 1951, filho de Dona Zaide Frazão Muniz e de Alcides Gomes Muniz o caxiense Benedito Esdras Muniz iria completar 70 anos em agosto deste ano. E, pelo visto, queria dar-se o presente de estar rico na data…
Foi assim, brincando sobre “ficar rico”, que Benedito Esdras e eu conversamos diversas vezes, algumas delas longamente, ele em São Luís, eu em Caxias.
Era dezembro de 2020 e mais uma vez eu viajara para Caxias, onde ficaria algumas semanas. Um grupo de conterrâneos de diversos pontos do País decidira fazer o jogo máximo (mais de vinte mil reais) da MegaSena da Virada, o maior jogo da Caixa Econômica Federal. Decidiram também que seria minha conta corrente aquela que receberia os depósitos e transferências dos valores correspondente à cota de cada um. Ante o entusiasmo de todos, aceitei. Elaborei uma detalhada planilha de ingresso dos valores e a colocava periodicamente no grupo de WhatsApp em que todos estavam adicionados, quase sempre diversas vezes todo dia.
É aí que comparece o Benedito. Lamentava ele, com bom humor, que havia “relaxado” e queria saber se ainda havia alguma cota em aberto. Aproveitamos para conversar sobre coisas e causas de Caxias, amigos, a riqueza dos tempos passados… Prometi ao Benedito Esdras que contataria alguns conterrâneos que tinham mais de três cotas, para ver se repassavam uma para ele. Não foi possível: as cotas repetidas estavam no nome dos conterrâneos mas, em geral, tinham como titulares filhos, netos…
O Benedito Esdras, sempre bem-humorado, ficou inconsolável, chateado consigo mesmo, porque “dormira no ponto” e coisa e tal. Voltei a acenar com a possibilidade de alguma cota não paga ou desistência… Dias depois,… nada. Nada, não: disse a ele que, se ele se “contentasse” com metade de uma cota, eu dividiria a minha com ele. Em princípio ele disse “Não, você está fazendo um grande trabalho, estou vendo no grupo” etc. etc. Deixei ele à vontade para decidir.
Dias depois ele telefona, rindo: “Sanches, vamos ficar ricos juntos?” Respondi: “Vamos. Nós e nossos conterrâneos”. Assim, fizemos o “rachide-abdalla”, o “rachachá” e dividimos o custo da minha cota. Se nosso bilhete fosse premiado, a metade da cota resultaria em dinheiro razoavelmente suficiente para todos, já que, como diz a sabedoria popular, daqui nada se leva, o que se leva é o que se deixa (no coração dos que ficam), e que atrás de um carro fúnebre não vai um carro-forte…
Sim, Benedito Esdras e eu ficamos ricos, aliás, mais ricos… e bem antes do sorteio da tal MegaSena da Virada, no finzinho do ano. Ficamos mais ricos de fraternidade, espírito de desambição, reforço da conterraneidade, amor pela cidade natal…
Ainda bem que as riquezas de maior valor não se formam à base de bilhetes de loteria…
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Benedito Esdras, estudante do Colégio Caxiense, vai encontrar-se — agora para sempre… — com Maria Helena de Carvalho Muniz, aluna do Colégio São José. Ambos agora matriculados na Escola Celestial. Maria Helena já estava lá, há 1 ano, 2 meses e 15 dias — desde 10 de dezembro de 2019, quando faleceu.
Que ambos, unidos, orem por todos dessa geração que, gradativa e dolorosamente, está se tornando lágrima e lápide…
Descansem em paz, Maria Helena e Benedito Esdras.
A Eternidade é o novo endereço de vocês.
EDMILSON SANCHES
edmilsonsanches@uol.com.br
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foto: Maria Helena e Benedito Esdras Muniz.
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