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EXCLUSIVO: Dr. Sinésio Torres Jr e a Saúde Pública em Caxias.

                         Dr. Sinésio Torres (oftalmologista)

Em entrevista exclusiva  ao Jornalista Pedro Jr., o médico oftalmologista, Sinésio Torres, que também é professor da UEMA no curso de Medicina, e, Supervisor do Programa Mais Médico, faz um diagnóstico sobre a Saúde Pública no Município de Caxias.

PJ: Dr. Sinésio, na sua visão como médico, o que melhoramos e pioramos nessa década?

Dr. Sinésio – De uma forma resumida, pioramos com aumento da violência, o uso indiscriminado de drogas, degradação do meio ambiente. Acredito que o de melhor que tivemos foi o desenvolvimento tecnológico em todas as áreas, da educação e  da saúde.

  PJ: Sua especialidade é oftalmologia,             uma área importantíssima e que tem crescido a cada dia. Por quê?


Dr. Sinésio: A Oftalmologia está associada à tecnologia, portanto, tem desenvolvido muito associado a maior sobrevida da população. Precisávamos ter condições para oferecer melhores resultados, tanto na parte de diagnóstico como ao tratamento em si.

PJ: Na atual situação do Brasil, um dos grandes problemas é o da saúde, seguido por  segurança. Em relação à saúde o que fazer?

Dr. Sinésio – Nós temos grandes profissionais, temos o SUS que é muito bom no papel, mas não funciona na prática, falta principalmente uma carreira para os profissionais da área.


PJ: Hoje a oftalmologia tem tido grandes evoluções, explane algumas?

Dr. Sinésio – Nós temos evoluído em diagnóstico, com aparelhos mais precisos em doenças como Glaucoma, doenças da retina, utilização de robôs em cirurgia intraocular, há também colírios  em desenvolvimento para retinopatia diabética e para evitar cirurgia de catarata, pesquisa com células tronco em algumas patologias, implante intraocular de chips que podem melhorar a visão em algumas doenças.



PJ: De posse do seu alto conhecimento técnico na área médica, o glaucoma é o principal problema na saúde dos olhos?


Dr. Sinésio –  Não é o principal, mas é preocupante, pois a forma mais comum do glaucoma é assintomática em até 80% dos casos.


PJ: Como podemos amenizar esses problemas?

Dr. –  Deveríamos agir nos fatores de risco, como histórico familiar de glaucoma, fumantes, diabéticos e hipertensos, negros, míopes, idade acima de 40 anos.

PJ: Tem muita polêmica de como o médico de hoje atende, por que, falta mais humanidade?


Dr. Sinésio – Em todas as profissões, podemos encontrar de tudo, na saúde falta um plano de carreira, para que pudéssemos nos dedicar ao serviço, sem ter acumular vários empregos.

                          Dr. Sinésio Torres (oftalmologista)
PJ: O senhor acha que programas como o mais médico ajudam a saúde pública nos dias de hoje?

Dr. Sinésio –  Não tenho dúvidas sobre o programa, a grande dificuldade  são gestores fazerem funcionar.
PJ: Quais os pontos positivos e negativos?

Dr. Sinésio  – O ponto mais relevante é a promoção da saúde com educação, e o negativo, é que precisa sair do papel.
PJ: Geralmente a saúde é o “calcanhar de Aquiles” dos gestores, tanto nas esferas municipal, estadual e federal, por quê?

Dr. Sinésio – Porque falta transparência e conhecimento na aplicação desses recursos.

PJ: O que precisa ser feito para melhorar essa convivência entre paciente, médico e setor público?
Dr. Sinésio – Nós precisamos eleger prioridades, deixar de fazer política com a saúde, por exemplo, nosso estado tem um dos maiores índices de mortalidade infantil, então devemos buscar o que está vulnerável.

PJ: Tem se denunciado muitos esquemas corruptivos envolvendo hospitais, médicos, e também setor público, causando prejuízo ao paciente, ao erário público, e ao médico sério. Que sugestão o senhor daria?

Dr. Sinésio – Acho que deveria haver uma fiscalização do judiciário, em relação a essas verbas publicas, e em contrapartida o município teria de apresentar melhores índices de saúde para receber recursos, como por exemplo, diminuir a mortalidade infantil e materna. Se o município melhorasse os índices, seria contemplado com mais recursos.

PJ: O senhor é um médico muito requisitado em várias cidades do Maranhão, e em outros estados. Em relação às políticas públicas, no entanto, em Caxias, há certa indiferença, em relação ao  senhor,   por quê?
Dr. Sinésio – Porque em nosso município não existe política pública, existe assistencialismo para fazer política.

PJ: O senhor acredita que nessa nova gestão municipal, Caxias tende a crescer em relação a área médica?

Dr. Sinésio – Em relação ao novo gestor, precisamos dar um tempo para organização do sistema, mas ele precisa de pessoas compromissadas e de conhecimento na área.

PJ: Em relação ao Brasil, em um contexto geral, há um cartel na área médica?

Dr. Sinésio – Sim, tem cartel no setor público e privado.


                              Dr. Sinésio Torres (oftalmologista)


PJ: Como o senhor analisa hoje os cursos de medicina do Brasil e do nosso estado do Maranhão?
Dr. Sinésio – São válidos novos cursos, mas tem que haver uma maior estruturação. Em Caxias não tem hospital universitário, e já estão abrindo novos cursos no Maranhão, isso é uma incoerência.

PJ: Um pergunta que muitos fazem: porque a medicina do Piauí é referência e a do Maranhão, não?

Dr. Sinésio – No Piauí, houve profissionalização do setor há décadas. Já no Maranhão, passou-se muito tempo comprando ambulância, mas investimento setorial não houve, mesmo recebendo mais dinheiro que nossos vizinhos.


PJ: Para finalizar, defina Dr. Sinésio Júnior?

Dr. Sinésio – Uma pessoa simples, que gosta do que faz, e quando não estiver ajudando, não atrapalha.


                        Dr. Sinésio Torres (oftalmologista)

Entrevistador

 Pedro Júnior




Professor, educador em direito e comunicação, mestre em comunicação, graduado em direito pela universidade de Marília-SP, radialista, jornalista e comunicólogo.



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