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Tentativa de estupro em base da Marinha: família de soldado Fuzileiro Naval feminina revela esquema de proteção a superiores

Relato de família expõe caso grave ocorrido durante treinamento militar e levanta questionamentos sobre hierarquia, silêncio institucional e proteção à vítima.

Por: Robson Augusto

Em um dos relatos mais estarrecedores já registrados sobre a conduta disciplinar e humana nas Forças Armadas Brasileiras, justamente no momento em que Marinha, Exército e Aeronáutica ineuguram o ingresso de militares do sexo feminino nas graduações mais na base, os pais de uma Soldado Fuzileiro Naval feminina de apenas 20 anos, atacada dentro de uma base da Marinha do Brasil, dão detalhes assustadores do episódio.

Assistir o podcast, conduzido por Adriano Rocha, advogado, foi como ver um filme de terror. O sonho de ingressar na Marinha e se transformar em um militar de carreira de uma jovem acabou se transformando em uma experiência terrível, degradante, gerando um grito de socorro de uma família que viu um belo sonho se transformar em um diagnóstico de depressão profunda e síndrome do pânico após uma tentativa de estupro sofrida dentro de uma organização militar da Marinha do Brasil.

 

O caso, ocorrido em novembro de 2025 na Ilha da Marambaia, revela não apenas a violência sexual em si, mas o que o apresentador e os convidados descreveram como um “sistema maligno e perverso” de silenciamento, hierarquia distorcida e perseguição institucional contra a vítima. Há pouco mais de um mês uma reportagem da Revista Sociedade Militar revelou um caso em que 8 militares foram assediadas, também na Marinha, o que confirma que a situação revelada no podcast não é um caso isolado.

 

Soldado relata emboscada em área isolada durante treinamento na Ilha da Marambaia

 

R(*), integrante da turma 1/2025 do Corpo de Fuzlieiros Navais, estava em sua primeira manobra oficial. O ambiente, que deveria ser de instrução e segurança, tornou-se o palco de uma emboscada. Segundo o relato de sua mãe, Joana, a jovem foi enganada por um superior hierárquico, um Primeiro-Sargento, que também era seu instrutor de natação.

 

A dinâmica dos fatos, conforme bem narrada no podcast, expõe a vulnerabilidade da soldado diante da autoridade. Precisando retornar ao alojamento em um local que desconhecia, R aceitou a ajuda do sargento. Joana descreve o momento da desviação de rota com detalhes perturbadores:

 

 

“Como ela ali na Ilha da Marambaia, era a primeira vez que ela tava a serviço como manobra, ela não sabia ir sozinha pro alojamento… Então ali o esse sargento, esse que tentou estuprá-la, ele se ofereceu para ir com ela, para acompanhá-la. Ele se ofereceu e a caminho, ela está vindo pela estrada, pela estrada onde passa os carros, onde tem movimentos de pessoas. Ali naquele caminho, ele virou para ela e falou assim: ‘Ah, eu sei um caminho mais curto, é que a gente vai chegar mais rápido no alojamento’. E ali ele, ele chama ela para ir pela praia, aonde não tem câmera, onde não tinha nada, não tinha ninguém perto, nada, ninguém.”

Foi nesse isolamento que a agressão física começou. O sargento, aproveitando-se da solidão do local, teria agarrado a jovem. A transcrição do depoimento de Joana revela a luta da filha para manter sua integridade:

 

 

“Ali na praia, ele começou a agarrá-la e ela falou: ‘Me solta’. Quando ela disse isso, ele questionou: ‘Como assim me solta? Voc”Ali na praia, onde não tinha ninguém, ele começou a agarrá-la e ela falou: ‘Me solta’. Eh, quando ela falou: ‘Me solta’. Ele falou: ‘Não, ué, como assim me solta? Você não quer nada comigo?’ Ela falou: ‘Não, mas eu nunca quis nada com o senhor’. E ali agarrou ela e começou a tentar, né? … Ela conseguiu fugir porque teve que mentir, dizendo que tinha um noivo dentro da Marinha que era colega dele. Foi a única hora que ele ficou com medo e a soltou.”

 

 

“Sou sargento, você é apenas uma soldado”: hierarquia teria sido usada para intimidar a vítima

 

 

Um dos pontos mais revoltantes destacados por Adriano Rocha e pelos pais da vítima é o uso da patente para silenciar o crime. Logo após o ato, o sargento teria deixado claro que a estrutura da Marinha serviria de escudo para ele e de mordaça para ela. A mãe transcreve a ameaça proferida pelo agressor:

 

“Ele ameaçou ela, falou para não contar para ninguém, dizendo: ‘Eu sou um sargento e você é apenas uma soldado’. Ele usou a hierarquia, a posição… Ele ameaçou ela, falou para ela não contar para ninguém, porque ‘eu sou um sargento e você só é apenas uma soldado’. E dali em diante ela conseguiu fugir. […] Ele falou para ela assim: ‘Como é que você não me quer? Sou um sargento. Você só é uma soldado’. Ele usou é hierarquia, né? Usou o o a postura dele na a o jeito, a posição dele para poder coagir ela.”

 

 

Ao chegar ao alojamento, a soldado foi encontrada por colegas “se tremendo dos pés à cabeça”. Mesmo aterrorizada pela ameaça do superior, o estado de choque da jovem era tão evidente que os companheiros de farda a impulsionaram a levar o caso ao comando.

 

 

A Reação forte do advogado e a crítica ao sistema

 

 

Rocha enfatizou que o caso não é isolado, mas sim um “modus operandi” institucional. Ele mencionou outros episódios trágicos, como o suicídio do aluno Melo Júnior no Colégio Naval e o caso do Cabo Lucas, para ilustrar como a justiça militar e os comandos costumam ser inerte diante do sofrimento dos praças.

 

 

“Agora você imagina entre oficiais, eu tenho caso aqui de oficiais, é caso que eu tô cuidando que correm em segredo de justiça… Eh, mas que que o oficial diz pra mulher: “Olha, se você não me quiser, você vai ter um inferno aqui. Você vai virar um inferno na sua vida..É mais ou menos o que foi falado para ela, né? estão fazendo. É, então é é um modos operante. Então não é fato isolado. Brasil não é fato isolado…”

 

 

O Atendimento no Instituto de Saúde da Marinha (ISM)“a médica estava coagida”

 

Se o crime na praia foi o trauma físico, o atendimento médico e administrativo que se seguiu é descrito pela família como uma “tortura reiterada”. Joana relatou a Adriano Rocha episódios de coação dentro dos consultórios médicos da própria Marinha.

 

 

A mãe narrou um atendimento recente no UISM que exemplifica a pressão psicológica sofrida pela vítima, menciona que o atendimento anterior teria sido realizado por uma médica civil, mas que da última vez uma militar estava junto, pressionando a médica civil:

 

“Chegando lá, é uma capitã… Ela virou para mim, tinha duas, a médica e ela, a capitã, ela virou para mim: ‘Eu também vou participar da consulta. Eu sou médica’. […] Eu vi no olhar dela [da médica civil], eu falei: ‘Meu, ela tá tentando falar algo, mas ela só ficava assim para mim, ó: aqui eu tô sob coação’. […] Minha filha pediu um papel igual a esse para ser um uma uma relatório, um laudo… ela se recusou a dar hoje. Hoje foi totalmente diferente. Ela virou para mim e falou que esse papel ela não poderia me dar. Aí eu indaguei… ‘Ah, porque ah, mas eu dei, mas foi errado. Eu não poderia ter dado’. A médica falou.”

Transferência da soldado para Belém levanta suspeitas de tentativa de isolamento

Como se o abalo psicológico não fosse suficiente, a militar hoje sofre de síndrome do pânico e crises de ansiedade diárias, a Marinha sinalizou com uma transferência da soldado para Belém, no Pará. Para a família e para o advogado, essa movimentação é uma tentativa nítida de “abafar” o caso e isolar a vítima.

O pai, Marcos, expressou sua dor diante da falta de empatia dos comandantes:

“A Marinha, ela simplesmente ela não liga pro nosso sentimento. Ela não liga pro sentimento de uma menina de 20 anos de idade… nós deixamos a nossa filha lá ótima. E olha como é que eles estão nos entregando a nossa filha. […] Eu como pai, eh, fica difícil até falar isso, mas como cristão, deixa meu recado para você que cometeu esse ato: Eu te perdoo em nome de Jesus, tá bom? Eu te perdoo, mas a consequência do que você fez, ela é sua. Que a justiça seja aplicada da forma que tem que ser aplicada contigo.”

O movimento para pressionar a Marinha

O episódio do podcast terminou com um clamor por intervenção federal. O advogado anunciou que não pretende recuar e que organizará um movimento de protesto em frente ao Comando do 1º Distrito Naval, visando ser recebido pelo Ministro da Defesa, José Múcio, e pela Presidência da República.

A história da Soldado é o retrato de uma juventude que entra para as Forças Armadas com o desejo de servir à pátria, mas que acaba sendo vítima de uma estrutura que, em muitos casos, prioriza a proteção do agressor em detrimento da dignidade da vítima. Como resumiu Joana em seu último apelo: “Minha filha entrou sã, saudável. Estão devolvendo ela doente, destruída por quem deveria protegê-la.”

O caso segue sob investigação em âmbito militar (IPM) e na esfera civil, enquanto a família luta para impedir a transferência da jovem e garantir que o sargento responda criminalmente pelos seus atos. Abixo o vídeo completo, disponível no canal de Adriano Rocha.

R* nome ocultado para proteção da vítima

Com Informações: https://www.sociedademilitar.com.br

Categoria: Notícias