NASA/Reid Wiseman
Legenda da foto,O astronauta da Nasa e comandante da Artemis 2, Reid Wiseman, fez esta imagem da Terra pela janela da nave Orion
Por: Georgina Rannard
Role, Repórter de Ciência
A agência espacial americana (Nasa) está divulgando um fluxo contínuo de imagens impressionantes da Lua e da Terra feitas pelos astronautas na missão lunar Artemis 2.
Atraindo milhões de curtidas nas redes sociais, as imagens mostram os dois corpos celestes em ângulos incomuns e em alta definição.
Não há como negar o impacto: quatro astronautas estão embarcando em uma missão que os levará mais longe da Terra do que qualquer ser humano desde 1972.
Mas essas imagens têm valor científico único ou são apenas o equivalente a “fotos de turismo”?
Crédito,NASA
Legenda da foto, A astronauta Christina Koch observa a Terra a partir da nave Orion (imagem feita com um iPhone 17 Pro Max)
A Nasa quer o apoio do público americano à missão. A agência transmite ao vivo a viagem de 10 dias, e os quatro astronautas fazem atualizações frequentes em vídeo, descrevendo o progresso em tom triunfante.
A agência americana afirmou que a tripulação ficou tão animada ao observar a Terra e a Lua passarem diante deles que a janela da nave Orion ficou suja, e os astronautas receberam instruções de como limpá-la.
Esta é a primeira vez que câmeras digitais são levadas tão longe no espaço.
A espaçonave Orion conta com 32 câmeras e dispositivos, sendo 15 instalados na nave e 17 operados manualmente pela tripulação.
Segundo a Nasa, essa imagem marca “a primeira vez que toda a bacia foi vista por olhos humanos”. Nem mesmo os astronautas da Apollo conseguiram ver completamente a bacia de Orientale por causa de sua órbita e das condições de iluminação.
A agência enfatiza a importância dos olhos humanos em comparação com exploradores robóticos.
“Os olhos e cérebros humanos são altamente sensíveis a mudanças sutis de cor, textura e outras características da superfície”, afirma.
Segundo a Nasa, isso pode “revelar novas descobertas e uma apreciação mais detalhada das características da superfície da Lua”.
Perguntei a Chris Lintott, professor de astrofísica da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e coapresentador da série The Sky at Night, da BBC, qual era sua opinião.
“O valor das imagens que chegam da Artemis 2 e de sua tripulação é artístico, não científico”, disse.
Ele explicou que, desde o programa Apollo, nas décadas de 1960 e 1970, exploradores robóticos já mapearam o lado oculto da Lua.
Em 2023, a Índia enviou a sonda Chandrayaan-3 e capturou imagens detalhadas da mesma região.

Crédito,ISRO
Legenda da foto,Uma foto do lado oculto da Lua feita em 2023 por uma câmera da sonda Chandrayaan-3, da Índia
Em 2024, a missão chinesa Chang’e-6 coletou as primeiras amostras da história do lado oculto da Lua. A missão veio após a China ter pousado a primeira sonda na região, em 2019.
“A menos que algo muito incomum aconteça, não haverá nada para os astronautas [da Artemis 2] descobrirem”, diz Lintott.
“Há a possibilidade de eles verem um clarão de impacto se um meteoro atingir o lado escuro, mas teria que ser um impacto bastante grande”, afirmou.
“Para a ciência, eles precisariam fazer uma contagem sistemática [disso], algo que é melhor feito com uma câmera de vídeo, não olhando pela janela”, explicou.
“As [imagens] que já recebemos são bonitas, impressionantes e icônicas — feitas por astronautas, não por robôs. Esta é uma viagem de exploração, não de ciência lunar, e tudo bem!”, disse.
Ao divulgar essas imagens, a Nasa enfatiza a importância científica da missão, mas, como jornalistas, devemos observar todos os fatos envolvidos na história.
Os Estados Unidos estão em uma corrida espacial com outras nações — especialmente com a China —, com ambos os países disputando quem será o primeiro a levar humanos de volta à Lua. Uma missão Artemis 2 bem-sucedida indicaria que os EUA assumiram uma liderança decisiva, por enquanto.
E este é um momento crucial para a Nasa se destacar aos olhos do presidente Donald Trump, que reduziu o financiamento de muitas instituições científicas.
A agência também está sob pressão para provar seu valor em um momento em que operadores privados, como a SpaceX, estão elevando o nível.
A ciência é movida pela investigação e pela evidência, mas nunca está imune à política.

Crédito,Getty Images
Legenda da foto,A icônica foto Earthrise (Nascer da Terra, em tradução livre) feita em 1968
Em 1968, o astronauta Bill Anders fez história ao registrar a hoje famosa imagem Earthrise.
Feita a partir de uma posição próxima à superfície lunar, a foto mostrava nosso planeta surgindo ao fundo.
Ela fez a Terra parecer vulnerável e, em um momento de divisão global e tensão durante a Guerra Fria, lembrou a muitos que compartilhamos um único planeta.
Também demonstrou como uma imagem poderosa pode fazer história — e a Nasa espera que a Artemis 2 produza um momento de impacto semelhante.
Enquanto isso, vale aproveitar a viagem dos astronautas e suas belas imagens.
Com Informações: https://www.bbc.com
Categoria: Notícias
