Repasse Informativo | Marcos Monteiro - Repasse Informativo Caxas-MA, O Blog do Marcos Monteiro.

BASTIDORES DO PODER: PT DO MARANHÃO SINALIZA POSSÍVEL APOIO A ORLEANS BRANDÃO

A publicação feita pela dirigente petista Patrícia Carlos, neste sábado (2), movimentou o cenário político no Maranhão e trouxe novos elementos para a disputa eleitoral de 2026. Ao reforçar que o PT segue uma estratégia nacional com foco na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente estadual da sigla deixou claro que as decisões locais ainda estão em aberto — e podem seguir caminhos diferentes do que parte da base vinha projetando.

 

 

Sem mencionar diretamente o vice-governador Felipe Camarão, o posicionamento foi interpretado como um sinal de que o apoio do partido à sua pré-candidatura ao governo não está consolidado. Pelo contrário, a fala reforça que o PT pretende agir com cautela, alinhando suas decisões estaduais ao projeto nacional.

 

 

No texto, Patrícia afirma que, caso o partido opte por uma candidatura própria, esse caminho será seguido. No entanto, ela ressalta que, na condição de dirigente estadual, entende que a prioridade estratégica é fortalecer Lula em 2026. Ao destacar que é “natural” a existência de palanques múltiplos nos estados, especialmente no Nordeste, a dirigente abre espaço para diferentes composições políticas locais.

 

 

Esse ponto é considerado central na análise política, pois indica que o PT pode acomodar alianças diversas, desde que elas contribuam para o objetivo maior no plano nacional. Na prática, isso reduz a pressão por um alinhamento automático a nomes já colocados na disputa estadual.

 

 

Outro trecho que chama atenção é a menção ao desejo de apoio do secretário Orleans Brandão e do grupo do governador ao projeto de reeleição de Lula. A citação amplia o campo de articulação e sugere que o PT pode, sim, dialogar com outros setores políticos — inclusive fora do eixo inicialmente associado ao vice-governador.

 

 

Com isso, cresce nos bastidores a leitura de que o partido poderá apoiar Orleans Brandão, caso a construção política aponte nessa direção e garanta palanque competitivo para Lula no estado. A movimentação indica uma estratégia mais pragmática, voltada para resultados nacionais, mesmo que isso implique rearranjos no cenário local.

 

 

Ao evitar qualquer definição antecipada, Patrícia Carlos mantém o PT em uma posição de independência e flexibilidade, impedindo que a sigla seja tratada como peça já definida no tabuleiro político maranhense.

 

 

Dessa forma, a publicação atua como um freio nas expectativas de apoio imediato a Felipe Camarão e reforça que a decisão sobre o governo do Estado ainda dependerá de negociações, alianças e do contexto político nacional nos próximos meses.

Com Informações: https://blogdomacielsilva.com.br

Canetas emagrecedoras podem reforçar “economia moral da magreza”

Professora da USP Fernanda Scagluiza discute padrões corporais

TV Brasil e Agência Brasil/São Paulo

A popularização dos medicamentos subcutâneos para o tratamento da obesidade, mais conhecidos como canetas emagrecedoras, tem sido acompanhada de intensos debates. Apesar de produzirem efeitos expressivos e de terem conquistado o endosso de diversas sociedades médicas, esses remédios também têm sido usados sem acompanhamento profissional, ou por pessoas que não apresentam obesidade.

 

 

Para a professora das faculdades de Saúde Pública e de Medicina Universidade de São Paulo (USP), Fernanda Scagluiza, o apelo das canetas nasce da “economia moral da magreza”.

 

 

Ela foi uma das entrevistadas do episódio O boom das canetas emagrecedoras, exibido pelo programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, na última segunda-feira (27).

 

 

Confira a entrevista para o Caminhos da Reportagem 

 

 

Caminhos da Reportagem: O que é a economia moral da magreza? Como ela se reflete em violência contra as pessoas gordas?

 

 

Fernanda Scagluiza: A economia moral significa que se atribuem significados diferentes a determinados corpos. Então, um corpo magro, um corpo sarado é visto como virtuoso, de uma pessoa que se esforçou para chegar até lá, que tem um grande controle e, com essas ferramentas, ela conseguiu aquele corpo.

 

 

Enquanto que, socialmente, um corpo gordo é visto como o de alguém preguiçoso, relaxado, que não tem força de vontade, não tem disciplina e outros estereótipos também muito perigosos, como falta de competência, falta de higiene, que não têm nada a ver com a realidade das pessoas.

 

 

E aí é como se as pessoas, quando entram no jogo social, tivessem uma quantidade de fichas diferentes no bolso. A pessoa que tem um corpo sarado, um corpo magro, está com muitas fichas. Então, ela tem relações sociais melhores no trabalho, na educação, nas relações amorosas. As coisas ocorrem com privilégios, enquanto, para as pessoas gordas, é o contrário. Sempre que você tem privilégio de um lado, você tem perda de direitos e opressão do outro.

 

 

Caminhos da Reportagem: De onde vêm esses padrões? 

 

 

Fernanda Scagluiza: Padrões de beleza geralmente existem desde muito tempo, e vão mudando conforme o período histórico. Mas o que eu acho mais interessante a gente pensar é que sempre que existir um padrão, a gente vai ter algo que é impeditivo à diversidade.

 

 

Se você olhar um lugar cheio de gente, você vai ver muita gente diversa. Então, se eu colocar um padrão, ou de extrema magreza, como está voltando agora, ou de uma magreza “saudável”, ou super musculoso, isso sempre vai deixar muita gente de fora.

 

 

E o objetivo é esse, deixar gente de fora para alimentar uma indústria que vai tentar vender soluções para isso. 

 

 

Caminhos da Reportagem: Podemos dizer que, hoje, nunca se é magro o suficiente?

 

 

Fernanda Scagluiza: Eu acredito que sim. Eu costumo dizer que toda gordura será castigada. É claro que as pessoas que têm um peso mais alto, que têm um corpo de fato maior, estão dentro de um sistema de violência, uma estrutura que a gente chama de gordofobia.

 

 

Esse sistema vai fazer de tudo para que essa pessoa fique de fora da sociedade, para que se enraize dentro dela a humilhação, a opressão e a falta de dignidade.

 

 

Então, essa pessoa certamente é a mais prejudicada. Mas mesmo as pessoas que não são gordas sofrem a pressão estética pela magreza. E isso pode ser mais ou menos intenso dependendo do lugar, do gênero, da classe social. De maneira geral, mulheres são mais atingidas, mas as pesquisas não são refinadas o suficiente, por exemplo, para gente entender diferenças entre mulheres cis, trans e travestis.

 

 

Mas hoje o que a gente está vendo é que qualquer gordurinha é um problema e é um motivo para você adquirir uma solução, que agora se vende como uma magreza farmacológica. 

 

 

Caminhos da Reportagem: Você acha que a gente estava começando a se desvencilhar da cultura da magreza extrema e que isso agora voltou forte com as canetas emagrecedoras?

 

 

Fernanda Scagluiza: Eu acho que sim. Mas eu acho que a gente não pode ser ingênuo. Acho que, a partir dos anos 2010, a gente começou a ter alguma mudança, com o movimento de positividade corporal, tentando passar a ideia de que a diversidade era importante. Mas por que eu falo que a gente não pode ser ingênuo? Esses espaços, na moda, por exemplo, foram conquistados muito a contragosto, e eles cederam uma cota para mulheres com um corpo um pouco maior, mas elas ainda tinham um formato de ampulheta, sem uma dobra de barriga, nada disso.

 

 

Agora, eu tenho uma impressão de que eles estão muito felizes, porque podem se livrar disso e voltar ao padrão da magreza extrema. Eu li outro dia uma reportagem dizendo que modelos de passarela, que normalmente já são supermagras, o que eles chamam de tamanho zero,  chegam para os desfiles de moda e as roupas têm que ser ajustadas, porque até as roupas tamanho zero estão muito largas nelas.

 

 

Isso é um cenário muito perigoso, especialmente para crianças e adolescentes, que são muito influenciáveis. Mas eu não acho que a gente estava no paraíso antes.

 

 

Caminhos da Reportagem: De que forma essa febre das canetas emagrecedoras tem afetado as conquistas das mulheres? 

 

 

Fernanda Scagluiza: A gente está vivendo uma época temerosa como mulheres. Eu nunca senti tanto medo, e eu sou uma mulher privilegiada.

 

 

A gente vive num país que é campeão em feminicídio, a gente é atravessada não só pelo machismo, mas pelo cis-hétero patriarcado o tempo todo. E tem um movimento muito conservador na política e na sociedade, com essas coisas de redpill e de tradwife, que seriam as esposas tradicionais.

 

 

E o que nós, mulheres, estamos fazendo? Nos preocupando com o tamanho das nossas barrigas, que a roupa que a gente queria usar não serve. Sempre se diz que fazer dieta é o maior sedativo político para as mulheres. E esse cenário todo de busca pela magreza extrema, com as canetas, é muito conveniente para esse movimento agressivo, violento, retrógrado. A gente fica voltada para isso e não para a luta que a gente precisa ter.

 

 

Caminhos da Reportagem: Você tem dito que estamos vivendo a medicalização do corpo saudável por padrões estéticos. Poderia falar sobre isso? Quais os efeitos na saúde mental dessa medicalização?

 

 

Fernanda Scagluiza: Medicalização é o seguinte: é quando uma coisa que é da esfera social passa a se tornar algo médico. Então, a alimentação é um fenômeno sociocultural desde sempre. A nutrição é uma ciência que existe há pouquíssimo tempo, mas as pessoas sempre comeram e sempre desenvolveram rituais em torno da comida.

 

 

E a gente passou a viver um tempo em que a comida deixou de ser isso e passou a ser remédio. Você vê as pessoas falando, por exemplo, “vou comer proteína”. Não, gente! Ninguém come proteína. Proteína é um nutriente. Você come um alimento que vai ter proteína ali dentro. Mas as pessoas estão enxergando dessa forma. Como se comida não existisse. E quando a gente entra na onda das canetas emagrecedoras, isso aumenta ainda mais. 

 

 

Em um estudo que a gente está submetendo para uma revista, a gente encontrou o seguinte: as mulheres que já tinham usado as canetas, elas usavam o termo “vacina contra fome”.

 

 

Então, a caneta fazia com que a fome se tornasse uma coisa opcional. Imagina, a fome, que está no nosso processo evolutivo desde sempre. Quais são os comportamentos que a gente vê a partir disso? Algumas pessoas passam a pensar assim: “eu não vou comer, mas eu preciso bater a meta de proteína, eu preciso beber água e eu preciso comer fibra, porque senão meu intestino não vai funcionar”. E isso é totalmente medicalizado.

 

 

Outro padrão que a gente encontrou é de algumas pessoas restringindo a alimentação o máximo possível. Por exemplo, se elas tinham um efeito colateral de náusea, ou vômito, elas meio que usavam esse efeito colateral para não comer. E aí eu lembro de uma frase em particular: “Foi esse o jeito que eu achei de fechar a boca num nível radical para conseguir emagrecer”.

 

 

Isso é perigosíssimo para a saúde das pessoas e é perigosíssimo para a nossa vida em sociedade. Como ficam todos esses rituais? Como fica o aspecto simbólico da alimentação? 

 

 

A alimentação saudável é um direito humano, só isso já devia ser suficiente. A alimentação saudável está relacionada com o jeito que a gente pensa, que a gente vive a vida, com a vitalidade do nosso corpo e com a proteção contra uma série de doenças. Então, muitas coisas podem acabar se perdendo nesse processo.  

Com Informações: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades

Estudos do intelectual seguem atuais no Brasil e no mundo

Rafael Cardoso – Repórter da Agência Brasil/ Rio de Janeiro

Em meio às grandes redes de supermercados em São Luís, no Maranhão, surgem mercadinhos e feiras populares adaptados à realidade de quem tem poucos recursos. O contraste entre os tipos de estabelecimentos e os modos de consumo revelam dinâmicas de exclusão e de desigualdade na cidade.

 

 

O cenário foi objeto de estudo de Livia Cangiano, pós-doutoranda na Universidade de São Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Ela recorreu a uma teoria formulada na década de 1970 por Milton Santos.

 

 

Neste dia 3 de maio, são comemorados os 100 anos de nascimento do geógrafo. Ele faleceu em 2001, aos 75 anos, mas suas ideias continuam sendo referências para análises socioeconômicas no Brasil e no mundo.

 

 

A teoria de Milton divide a economia urbana em dois circuitos: superior, concentrado nas grandes empresas, com alto nível de tecnologia, capital e organização; e inferior, formado por pequenos comércios e serviços, com menor acesso a recursos, mas altamente adaptável às necessidades da população.

 

 

“É muito difícil para as pessoas da periferia deixarem o espaço onde vivem e se deslocarem até o centro para consumir. As populações que vivem na periferia abrem seus próprios comércios, quitandas, mercadinhos, pequenas lojas”, diz Livia.

Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 –  Livia Cangiano, pós-doutoranda na Universidade de São Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades
Foto: Livia Cangiano/Arquivo pessoal

Livia Cangiano, pós-doutoranda na Universidade de São Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranhão. Foto: Arquivo pessoal

 

“Para dar um exemplo, nesse circuito inferior, pensando em alimentação, é o lugar onde a pessoa que não consegue comprar a dúzia do ovo, consegue comprar um ovo apenas. Eles vendem separadamente. As formas de comércio são menos endurecidas do que em uma grande rede supermercadista, onde só seria possível comprar a dúzia”, exemplifica.

 

 

A atualidade da teoria também aparece em pesquisas fora do Brasil. O projeto de pesquisa do qual Lívia faz parte aplica as ideias de Milton às dinâmicas urbanas em Gana, na África, e em Londres e Paris, na Europa.

 

 

Biografia

 

 

Milton Santos nasceu em 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas, na Bahia, e se tornou um dos principais nomes da geografia mundial. Ele concluiu o bacharelado na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o doutorado na Universidade de Strasbourg, na França.

 

 

Exilado durante a ditadura militar, lecionou em universidades na Europa, África e América Latina, antes de retornar ao Brasil, onde consolidou sua produção intelectual. Foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de São Paulo (USP).

 

 

Negro, enfrentou o racismo estrutural dentro da academia e construiu uma obra que redefiniu a forma de compreender o espaço geográfico, articulando economia, política e sociedade. Ele se tornou inspiração e referência para outros intelectuais negros, como a também geógrafa Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

 

 

“Eu sou uma mulher negra de 60 anos. Entrei na UFRJ na década de 80, onde a maior parte dos meus colegas na universidade não eram negros. Então, o Milton foi muito importante para a minha formação, não só do ponto de vista cognitivo e técnico, mas também na dimensão humana”, diz Catia.

Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades
Foto: Catia Antonia da Silva/Arquivo pessoal

Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades Foto: Catia Antonia da Silva/Arquivo pessoal – Catia Antonia da Silva/Arquivo pessoal

 

A professora explica que a obra de Milton não trouxe como tema central a negritude, nem a dimensão política da relação entre classe social e raça. Porém, ele produziu uma teoria social crítica das desigualdades que ajuda a analisar as questões raciais. E nunca ignorou o tema quando era necessário se posicionar na vida pública.

 

“Ele dizia que o fato de ser um professor universitário não o impediu de viver experiências de racismo. Falava que os negros precisavam ter um esforço muito maior para o seu trabalho ter legitimidade. Mas ele nunca utilizou qualquer vitimização para se tornar um intelectual.”

 

 

Teorias das desigualdades

 

 

Além da teoria dos circuitos urbanos, o geógrafo trouxe ideias que aprofundaram a compreensão sobre as desigualdades. Para Milton Santos, o espaço nunca foi apenas o cenário onde a vida acontece, mas o resultado direto de decisões políticas e econômicas.

 

 

Isso significa que a distribuição desigual de infraestrutura nas cidades (como saneamento, transporte ou acesso à internet) não é acidental, mas fruto de escolhas que privilegiam determinados grupos e territórios.

 

 

Ao olhar para uma periferia sem serviços básicos ou para uma área valorizada com alta concentração de investimentos, o geógrafo propõe enxergar ali não um acaso, mas a materialização de relações de poder.

 

 

“Milton traz essa compreensão de uma geografia historicamente produzida pelos grandes aparatos do Estado. À medida que o capitalismo avança, processos de industrialização e urbanização no Brasil vão produzir desigualdades e destruição das economias locais. Seja do Nordeste, da Amazônia ou do interior dos estados. Determinados grupos sociais serão beneficiados pelo processo de modernização”, explica a geógrafa Catia.

Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades
Foto: Acervo Milton Santos/Divulgação

Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades Foto: Acervo Milton Santos/Divulgação – Acervo Milton Santos/Divulgação

No livro Por uma outra globalização, Milton Santos descreve um sistema vendido como promessa de integração e progresso, mas que, na prática, aprofunda desigualdades mundiais. Grandes obras de infraestrutura, como portos e corredores logísticos, conectam países e mercados, mas também reorganizam territórios locais, pressionam comunidades e ampliam a concentração de riqueza.

 

 

Outro conceito bem conhecido do autor, o “meio técnico-científico-informacional”, descreve como tecnologia, ciência e infraestrutura passaram a moldar o território. Na prática, isso se traduz em regiões altamente conectadas, com redes digitais avançadas e logística eficiente, convivendo com áreas onde faltam serviços básicos. Enquanto alguns espaços são preparados para atender às exigências do mercado global, outros permanecem à margem desse processo.

 

 

Futuros possíveis

 

 

Apesar dos diagnósticos críticos, Milton Santos também apontou caminhos de transformação. Ele defendia que as mesmas redes e tecnologias que ampliam desigualdades podem ser apropriadas por populações locais para criar alternativas econômicas e sociais.

 

 

Iniciativas comunitárias, uso de tecnologia em periferias e formas cooperativas de organização mostram, segundo o autor, que o território também pode ser espaço de resistência e reinvenção.

 

 

“Ele propõe uma leitura sobre o território brasileiro, trazendo ferramentas para que a gente pense concretamente nas desigualdades, que não fique apenas no plano teórico, mas que nos induza a ir a campo, a conversar com essas pessoas, a entender o cotidiano delas no espaço”, diz a geógrafa Livia.

 

 

“Além disso, ele faz uma proposta muito generosa para pensar o espaço, que é pensar o quanto a periferia urbana brasileira como um todo é capaz de produzir outras racionalidades de existência”, completa.

 

 

Eventos

 

 

O centenário de nascimento de Milton Santos será celebrado com um conjunto de eventos pelo país. As programações ocorrem em formato híbrido e reúnem pesquisadores, ativistas e o público geral para debater o seu legado e a atualidade de sua obra.

 

 

O Seminário Internacional Milton Santos 100 anos: um geógrafo do Século 21 acontece de 4 a 8 de maio na USP, com transmissão virtual. O encontro é feito em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB).

 

 

No Rio de Janeiro, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) do Sesc vai oferecer, ao longo do mês de maio, um ciclo de palestras sobre geógrafo.

 

 

A Universidade Federal do Tocantins realizará, entre os dias 26 e 29 de agosto, o evento Tocantins como Fronteira do Meio Técnico-Científico-Informacional, para debater, em âmbito internacional, o pensamento e a obra de Milton Santos.

Com Informações: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Senadora petista levanta suspeita sobre voto de Ana Paula Lobato em indicação de Messias ao STF

A senadora Teresa Leitão (PT-PE) afirmou, em um grupo de WhatsApp ligado à corrente interna do partido, a CNB (Construindo um Novo Brasil), que a senadora maranhense Ana Paula Lobato (PSB) teria votado contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com Teresa Leitão, a suposta posição de Ana Paula Lobato contraria a orientação do PSB, que defendia a aprovação do nome de Jorge Messias. A parlamentar também sugeriu que o gesto representaria um desalinhamento com o grupo político ao qual a senadora maranhense está vinculada no estado, que atua pela consolidação da candidatura de Felipe Camarão ao governo.

 

“Foi contra! Não juro, porque (o voto) foi secreto. Mas tem todos os sinais”, declarou Teresa Leitão na mensagem compartilhada no grupo.

 

A repercussão da fala levou o deputado estadual Zé Inácio (PT) a divulgar publicamente o possível posicionamento de Ana Paula Lobato na votação. Até o momento, a senadora não se manifestou em suas redes sociais sobre o assunto.

 

Como o voto para indicação ao STF ocorre de forma secreta no Senado, não há confirmação oficial sobre o posicionamento individual dos parlamentares.

Com Informações: https://diegoemir.com

 

DESTAQUE SA SEMANA: O Imparcial chega a 100 anos de história

Há 100 dias, começávamos a contagem regressiva para os 100 anos do jornal O Imparcial. E esse dia chegou. Hoje, 1º de maio, O Imparcial entra para o seleto grupo de jornais impressos com veiculação diária e ininterrupta ao longo de um século.

foto: (reprodução)

Por: Patrícia Cunha

Ao longo desse período, muito foi feito até a culminância do centenário, marcada por uma edição histórica. Durante esses dias, não apenas a redação se mobilizou com o entusiasmo e a responsabilidade que a efeméride exige, com reportagens especiais, resgates históricos e depoimentos marcantes, como também parceiros e colaboradores que contribuíram direta e indiretamente para a edição publicada neste 1º de maio.

Além disso, eventos comemorativos já foram realizados e outros ainda ocorrerão ao longo do ano, compondo a programação alusiva à data. Um exemplo é a Sessão Solene em homenagem aos 100 anos do jornal O Imparcial, que será realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, no próximo dia 7 de maio, às 11h. Na ocasião, o veículo será homenageado com o reconhecimento como Patrimônio de Natureza Cultural Imaterial do Estado.

Para marcar a contagem regressiva, O Imparcial publicou diariamente, tanto no jornal impresso quanto nas redes sociais oficiais, uma foto histórica veiculada ao longo desses quase 100 anos, retratando fatos marcantes da história do Maranhão. Toda a curadoria desse material integrará uma exposição itinerante prevista para este ano ainda.

Fundado em 1926, O Imparcial acompanhou de perto as transformações políticas, sociais e culturais do estado e do país. De um Maranhão ainda marcado pela forte influência agrária ao crescimento urbano de São Luís, o jornal foi testemunha e narrador de mudanças profundas, mantendo o compromisso com a informação precisa, o jornalismo ético e a pluralidade de vozes.

Confira a entrevista com Celio Sergio, diretor executivo do jornal.

IMPARCIAL – Como você avalia a chegada de O Imparcial aos 100 anos? O senhor está há mais de três décadas no jornal. Como foi alcançar esse centenário?

 

CELIO SERGIO – Primeiro, digo que tenho a sorte de fazer parte da geração que vivenciou a transição do analógico para o digital. Saímos de processos manuais, de apertar botões e girar manivelas, para uma realidade completamente digital. Hoje, há uma geração que sequer conhece como o jornal era produzido no passado. Ao longo dos meus 35 anos na equipe de O Imparcial, acompanhei essa transformação.

 

“É possível inovar preservando a tradição”

 

A comunicação mudou drasticamente. Passamos do texto impresso para formatos como legendas em redes sociais, o que se tornou corriqueiro. Ao mesmo tempo, isso valorizou o jornalista, porque o jornalismo exige técnica. Há informação por todos os lados, mas nem tudo é notícia. Nosso papel é justamente transformar informação em notícia, com responsabilidade. Ao longo desses 100 anos, isso foi possível graças a uma equipe qualificada, formada por profissionais competentes, que garantiram credibilidade ao jornal e nos trouxeram até este centenário, com fôlego para muitos outros.

 

Diante das mudanças tecnológicas, qual é o papel do jornal impresso em um cenário de informação imediata?

 

O jornal impresso tem hoje um papel ainda mais relevante, que é o de não se limitar ao factual. A cobertura em tempo real acontece no digital, e nós fazemos isso no online. Já no impresso, entregamos análise, contexto e aprofundamento. No dia seguinte a um jogo, por exemplo, o leitor não encontrará apenas o resultado, mas a análise da partida e suas consequências. Esse é o diferencial: transformar o fato em compreensão. E há também a credibilidade de um veículo centenário.

 

Além disso, há o papel de registro histórico…

 

Exatamente. O impresso se consolidou como registro histórico. Existe uma curadoria: nem tudo que está na internet cabe em uma página de jornal. É preciso selecionar. Um acontecimento relevante precisa ser registrado, por exemplo: um avião caiu, precisa dar porque fica o registro histórico, então tem essa curadoria. Impresso é eternizar. É uma mídia que tem seu valor. Está registrado para a história. pois se torna documento histórico. O impresso eterniza os fatos.

 

O jornal realizou recentemente um evento com influenciadores. Como tem sido a repercussão?

 

Os influenciadores complementam nossa atuação multiplataforma. Estamos presentes em diferentes canais, cada um com sua linguagem e expertise. Ao mesmo tempo, buscamos integrar tradição e inovação, valorizando nosso acervo histórico. A gente tem 100 anos de história e todos os dias houve registros. Então, por exemplo, eu tenho a edição do dia que você nasceu, se você tiver menos de 100 anos. E a gente vem presenteando essas pessoas com a capa do jornal do dia que elas nasceram. É uma lembrança histórica que tem gerado grande repercussão.

 

Que mensagem o senhor deixa para os novos jornalistas?

 

Hoje, o acesso à informação é o maior da história, mas isso não significa conhecimento. É preciso desenvolver repertório, senso crítico e capital intelectual. Grandes nomes que passaram pelo jornal tinham isso. Então quando você tinha um Ferreira Gullart escrevendo, você sabia que ia ter alguma coisa muito interessante, César Teixeira, Ester Marques, Henrique Bóis e tantos outros jornalistas que já passaram por aqui, são pessoas com capital intelectual que somavam, com certeza, para o texto.

O jornalista precisa transformar informação em conteúdo próprio, qualificado. Copiar não diferencia ninguém. O texto continua sendo o grande diferencial. Um jornalista sem conteúdo intelectual é como um arqueiro sem flecha. E O Imparcial, eu quero destacar, valoriza a academia. Não tem como botar para escrever no jornal sem ser jornalista.

 

As comemorações seguem ao longo do ano?

 

Sim. Teremos uma programação extensa em 2026. Começamos com esta edição especial contando sobre o nosso papel diante da sociedade e vocês vão poder acompanhar uma edição histórica. E teremos eventos como a homenagem na Assembleia Legislativa. Agradecemos ao governador Carlos Brandão e a senhora Iracema Vale, presidente da Assembleia, pela honraria concedida ao Jornal. Esse reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial representa não apenas o jornal, mas toda a história do jornalismo construída ao longo desses anos. Também realizaremos exposições itinerantes e outras ações.

 

E o futuro?

 


O novo não precisa eliminar o que já existe. É possível inovar preservando a tradição. A gente vai se renovando, assim como a humanidade, ela traz as novidades, a gente também. O jornal se mantém relevante porque dialoga com a sociedade. Essa relação é o que nos trouxe até aqui, neste centenário, e é o que garantirá nossa continuidade.

Com Informações: https://oimparcial.com.br

Planalto avalia que ala do STF(Moraes e Dino) se juntou a Alcolumbre para derrotar Messias, diz jornal

O Palácio do Planalto avalia que uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) se juntou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para barrar a entrada do advogado-geral da União, Jorge Messias, na Corte. O nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi rejeitado por 42 votos a 34 no Senado. O resultado não só aumenta a crise entre o Planalto e o Congresso como anima a oposição nas eleições contra Lula, que é candidato ao quarto mandato.

 

 

A avaliação sobre os motivos da derrota foi feita na noite desta quarta-feira, 29, durante reunião entre Lula, Messias e os ministros José Guimarães (Relações Institucionais) e José Múcio (Defesa), além do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no Palácio da Alvorada.

 

 

Para o governo, o ministro do STF Alexandre de Moraes ajudou Alcolumbre na articulação contrária a Messias. Auxiliares de Lula também disseram, sob reserva, que o ministro Flávio Dino atuou para derrotar o advogado-geral da União. Tanto Moraes como Dino negam que tenham participado desse movimento. “Peça para apontarem um único senador que liguei ou falei”, disse Moraes, por intermédio de sua assessoria.

 

 

O diagnóstico do Planalto foi o de que, ao se aliar ao ministro do STF André Mendonça para conquistar votos de senadores bolsonaristas, Messias acabou comprando briga com o grupo que tem se posicionado contra as decisões do magistrado no tribunal.

 

 

Como mostrou o Estadão, se entrasse no STF, Messias poderia ser uma espécie de “fiel da balança” nas votações, inclusive sobre o código de ética proposto pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Nesse caso, a tendência seria uma mudança na correlação de forças do Supremo.

 

 

Lula disse na reunião no Alvorada que não indicará outro ministro para o STF. Está muito irritado com Alcolumbre e quer saber quem foram os “traidores” da base aliada que, na votação secreta, ficaram contra Messias, mesmo depois de o governo ter liberado o pagamento de emendas parlamentares e negociado cargos em agências reguladoras, além de vagas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

 

 

A rejeição de Messias para o STF significou a mais fragorosa derrota do governo. Para ser aprovado, o advogado-geral da União precisava do apoio de 41 senadores. O próprio Alcolumbre, no entanto, atuou para impor o vexame ao Planalto. Não foi só: avisou a vários senadores que não pautará nenhuma eventual nova indicação para o STF antes das eleições.

 

 

A última vez que o Senado recusou um nome indicado pelo presidente da República para uma vaga no STF foi há 132 anos, no governo de Floriano Peixoto.

 

 

O ambiente conflagrado no Congresso ainda terá um novo capítulo nesta quinta-feira, 30, quando senadores e deputados devem derrubar o veto de Lula ao projeto de lei que reduz as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro. A sessão do Congresso será comandada por Alcolumbre.

 

 

A oposição já comemora a derrota do governo como a vitória do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à sucessão de Lula e seu principal desafiante até agora. Nos corredores do Congresso, o que mais se ouvia na noite desta quarta-feira eram frases como “o governo acabou”.

 

 

Messias, por sua vez, disse que enfrentou durante cinco meses uma campanha de “desconstrução” e mentiras. “Nós sabemos quem promoveu tudo disso”, afirmou ele, numa referência a Alcolumbre.

 

 

“O que acontece é que Davi deixou de atuar como líder do governo e trabalhou como presidente do Senado”, resumiu o senador Efraim Filho (PL-PB). “Houve um erro de avaliação e de estratégia do governo”.

 

 

Alcolumbre sempre quis emplacar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), seu antecessor no cargo, na vaga do STF. A portas fechadas, dizia que o presidente havia assumido o compromisso de indicar Pacheco para a Corte.

 

 

Além disso, considerava que a escolha de Pacheco por Lula seria uma retribuição a tudo que o que ele próprio fizera para conseguir votos a outros indicados do governo, como Dino para o STF e Paulo Gonet para a Procuradoria-Geral da República.

 

 

Desde que Lula anunciou a indicação de Messias, em novembro do ano passado, Alcolumbre mostrou inconformismo. E chegou a dizer que Lula veria, a partir de agora, o que era ter o presidente do Senado como inimigo. 

Com informações: https://johncutrim.com.br/via Estadão

Histórico: Caxias mobiliza multidão e realiza o maior Festival do Trabalhador de todos os tempos

Caxias parou. O povo lotou. E o trabalhador saiu carregado de presente e orgulho

 

Caxias/MA – Se era pra homenagear quem move a cidade, a Prefeitura caprichou. O Festival do Trabalhador virou o assunto da semana: fila na entrada, arquibancada cheia, criança no Espaço Kids e adulto com o canhoto do sorteio tremendo na mão.

Mais de 40 prêmios fizeram o chão tremer. Teve gente que saiu de moto zero, outro levou geladeira, fogão, TV, notebook, celular, bicicleta, air fryer, caixa de som… Até ventilador virou motivo de grito na plateia. A cada nome chamado, era explosão de aplauso e aquele “é meu!” que arrepiava.

O prefeito Gentil Neto comandou a festa e não escondeu a emoção: “Caxias é feita por quem acorda cedo. Hoje o presente é pra vocês”. E o povo respondeu com praça lotada do começo ao fim.

 

Festa grande, organização de gente grande

 

 

Nada de aperto ou improviso. A Prefeitura desenhou o mapa do evento e entregou tudo no esquema:

 

– Segurança reforçada: PM, Bombeiros e SAMU de olho em cada canto

 

– Entrada controlada: fluxo tranquilo, sem empurra-empurra

 

– Espaço Kids em frente à UEMA: a meninada se acabou nos brinquedos

 

– Rua das Sombrinhas virou point gastronômico: da galinha caipira ao churrasquinho, tinha pra todo gosto

 

– Área instagramável bombando: selfie com os prêmios foi figurinha marcada no story

 

– Trânsito organizado: interdições certeiras pra ninguém ficar preso

 

Os stands de parceiros completaram a festa, levando serviço e novidade pro trabalhador.

 

 

Aniversário com sabor de conquista
No embalo, Caxias soprou 8 velinhas do Mirante da Balaiada – aquele que já foi Top 5 do turismo nacional em 2019. De lá de cima, mais de 70 mil pessoas já desceram pro Memorial conhecendo a história da cidade. O Mirante virou cartão-postal e motor do turismo. E no dia do trabalhador, ganhou mais um motivo pra celebrar.

 

 

Recado dado: trabalhador é prioridade

 

“Quem carrega Caxias nas costas merece respeito, festa e oportunidade”, cravou Gentil Neto. O Festival não foi só sorteio. Foi recado: gestão que valoriza é gestão que tá junto.

 

Saldo da noite: recorde de público, praça pulsando e um monte de trabalhador voltando pra casa com presente na garupa e sorriso no rosto.

 

Caxias já entrou pro calendário com um evento que mistura organização, povo na rua e reconhecimento de verdade. E se depender da energia que rolou, ano que vem o desafio é fazer maior ainda.

Derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria causou forte divisão e algumas surpresas na bancada maranhense

Acima Eliziane Gama, Weverton Rocha e Ana Paula Lobato votaram pela manutenção do veto. Embaixo, à esquerda, Amanda Gentil, Aluísio Mendes, Cleber Verde, Duarte Jr. Josivaldo JP, Márcio Honaiser, Pastor Gil, Pedro Lucas Fernandes, Paulo Marinho Jr., e Silvio Antônio votaram
pela derrubada do veto; e à direita André Fufuca, Rubens Jr., Márcio Jerry e Fábio Macedo votaram pela manutenção do veto

A votação por meio da qual o Congresso Nacional derrubou ontem o veto do presidente Lula da Silva (PT) ao PL da Dosimetria (Projeto de Lei 2162/23), que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro, em especial o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje em prisão domiciliar por razões de saúde, foi uma demonstração cabal de como pensam os atuais congressistas maranhenses sobre como devem ser punidos os responsáveis pelo mais grave movimento contra a democracia e o estado democrático de direito no Brasil depois do golpe militar de 1964. Enquanto os senadores Weverton Rocha (PDT), Eliziane Gama (PT) e Ana Paula Lobato (PSB) votaram pela manutenção do veto, os deputados federais se dividiram, sendo que 10 votaram pela derrubada do veto e quatro votaram pela manutenção, um se absteve e três faltaram à sessão.

 

 

Os votos favoráveis ao veto dados pelos senadores Weverton Rocha e Ana Paula Lobato seguiram orientação dos seus partidos, ambos alinhados ao Palácio do Planalto Já senadora Eliziane Gama teve dupla motivação para defender o veto presidencial: além de seguir a orientação do PT, ela foi a relatora da CPI do 8 de Janeiro e no seu relatório ela confirmou a tentativa de golpe de Estado tramada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições de 2022, e pediu punição severa para todos os envolvidos.

 

 

Já os deputados federais se mostraram política e ideologicamente com muita clareza, com revelações surpreendentes. Para começar, a bancada do PP se dividiu, com a deputada Amanda Gentil votando pela derrubada do veto e, consequentemente, para aliviar a punição aos golpistas, e o deputado federal e ex-ministro André Fufuca dando voto para manter o veto, alinhado que é ao presidente Lula da Silva. Já a bancada do PL, representada na sessão pelos deputados interinos Paulo Marinho Jr. e Sílvio Antônio e pelo deputado quase cassado Pastor Gil, votou em bloco pela derrubada do veto, o que era esperado. E os deputados Pedro Lucas Fernandes e Josivaldo JP votaram também para derrubar o veto, seguindo a orientação do comando nacional do União, que tem um pé firme no bolsonarismo.

 

 

Único representante do MDB na sessão, o deputado Cléber Verde, que é um jogador tarimbado, votou contra o veto, o mesmo acontecendo com o deputado Aluísio Mendes (Republicanos), que é da direita dura e tem alinhamento com o bolsonarismo, também votou e fez campanha pela derrubada do veto. Já os deputados Márcio Jerry (PCdoB) e Rubens Jr. (PT), que são nomes de proa da base governista e se posicionaram contra o PL da Dosimetria desde a primeira hora, votaram alinhados com os seus partidos pela manutenção do veto presidencial.

 

 

Três votos, dois pela derrubada e o terceiro pela manutenção, chamara a atenção. O deputado Duarte Jr. (Avante), que é advogado e pontilha os seus pronunciamentos com defesas densas da democracia plena, causou espanto ao votar pela derrubada do veto do presidente Lula da Silva ao PL da Dosimetria. Também o deputado Márcio Honaiser (Solidariedade), que foi governista roxo até deixar o PDT em março, votou pela derrubada do veto. Já o deputado Fábio Macedo (Podemos), visto como um político de direita, que tem um pé no bolsonarismo, surpreendeu votando pela manutenção do veto, entendendo que o PL da Dosimetria não foi uma decisão saudável para a democracia.

 

O deputado interino Ribeiro Neto (Solidariedade) preferiu se abster, enquanto os deputados Hildo Rocha (MDB), Juscelino Filho (PSDB) e Júnior Lourenço (MDB) não participaram da votação.

 

 

Vale registrar que esses foram dados 48 horas depois que o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo da tentativa de golpe, apresentou à Suprema Corte, o relatório final do processo, no qual confirma, com farta documentação, tudo o que foi armado, tramado e tentado pelo então presidente Jair Bolsonaro e o grupo que o cercava entre o anúncio da vitória do presidente Lula da Silva no final de outubro de 2022 e o 8 de Janeiro de 2023.

Com Informações: http://reportertempo.com.br

Com rejeição a Messias e dosimetria, Lula toma ‘perdeu, mané’ que não esperava

Lula PT) – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil.

 

Por: Cláudio Humberto

 

Foram acachapantes e simbólicas as derrotas humilhantes de Lula (PT) no Senado e no Congresso, o primeiro rejeitando Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e o outro derrubando o veto presidencial ao projeto da dosimetria, A vaga pretendida por Messias tem significado: era de Luís Roberto Barroso, criador de um bordão do ativismo judicial. Assim, o aliado de ontem tornou-se, involuntariamente, o autor da frase que resume a humilhação histórica imposta a Lula: “Perdeu, mané”.

 

Conciliação à vista

 

Única iniciativa de conciliação nacional desde as sentenças raivosas do 8/Jan, a dosimetria faz justiça, mas o rancoroso Lula quer ver “sangue”.

 

Aparelhamento

 

Derrotando a dupla Lula/Messias, o Senado decidiu que há limites para o aparelhamento do Judiciário.

 

Não tinha como

 

Messias carregava dois pesos mortos rejeitados: um histórico de ativismo radical de esquerda e o currículo considerado insuficiente até por aliados.

 

Quem perdeu, mané?

 

Barroso sai de cena deixando a vaga e o bordão. Lula fica com a frase, e a constatação amarga de que, desta vez, quem perdeu, mané, foi ele.

Com Informações: https://diariodopoder.com.br

BASTIDORES: “Derrota de Lula e Jorge Messias vira desastre político para Weverton Rocha e Eliziane Gama.”

Weverton Rocha e Eliziane Gama: derrotados com a rejeiçãode Jorge Messias pelo Senado

 

Feitas as contas, a derrota histórica e humilhante sofrida pelo advogado geral da União, Jorge Messias, ao ter sua indicação para o Supremo Tribunal Federal rejeitada, além do presidente Lula da Silva (PT), que foi o grande derrotado no plano político, os estilhaços da explosão alcançaram também, duramente, os senadores Weverton Rocha (PDT), relator da indicação, e Eliziane Gama (PT), que trabalhou arduamente a favor do indicado nos segmentos evangélicos.

 

 

A derrota do senador Weverton Rocha foi acachapante. Escolhido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), com quem é “carne e unha”, o senador maranhense apresentou um relatório integralmente favorável a Jorge Messias, e durante a sabatina e a votação, atuou para as câmeras como uma espécie de “santo protetor” do indicado, falando a todo momento que estava tudo bem encaminhado para que ele fosse aprovado no plenário.

 

 

Com o lastro de quem foi o relator da indicação do então senador Flávio Dino para a vaga na Suprema Corte, também por escolha do presidente Davi Alcolumbre, o senador Weverton Rocha provavelmente soube que ele seria derrotado nos primeiros movimentos da votação no plenário. O fato é que publicamente o senador pedetista apareceu como duramente derrotado. Há quem veja por outro ângulo, mas essa é outra história.

 

 

A rejeição de Jorge Messias foi também uma pancada política na senadora Eliziane Gama. Ela atuou fortemente na mobilização de lideranças evangélicas em favor do indicado. Durante a sabatina e a votação no plenário, a senadora maranhense se movimentou intensamente, ora se manifestando, ora tentando convencer senadores de oposição a votar a favor do indicado e ora manifestando apoio pessoal a Jorge Messias quando ele era inquirido pelos senadores. Deu tudo errado e a decepção apareceu espantada no semblante da parlamentar petista.

 

 

Não há dúvida de que os senadores Weverton Rocha e Eliziane Gama, ambos candidatos à reeleição, terão de explicar – ele mais do que ela – esse fato que está abalando fortemente o equilíbrio institucional do País.

 

 

Em Tempo: alinhada ao Palácio do Planalto, a senadora Ana Paula Lobato (PSB) trabalhou por Jorge Messias, mas a derrota dele no plenário do Senado não a atingiu politicamente.

http://reportertempo.com.br