Maior facção criminosa do Brasil demonstra ansiedade com primeiras medidas do novo governo
Por: Aline Ribeiro
Maior facção criminosa do Brasil demonstra ansiedade com primeiras medidas do novo governo
Aline Ribeiro
A: — Alerta rua e sistema.
C: — Bagulho tá louco né velhinho.
A: — Caras tão querendo tirar nós xará, tá de brincadeira (…) vai dá guerra.
C: — Vai dá guerra, vai se f….
A: — Quero vê bagaço secar, tô louco pra regaçar tudo.
C: — Nós vamos tá lutando daqui e parceiro daí.
Essa é uma das poucas provas materiais que mostram a visão da facção paulista — com presença em vários estados brasileiros e também no Paraguai, na Bolívia, no Peru e na Colômbia — sobre os próximos quatro anos de governo. Foi gravada durante uma investigação da Polícia Civil de São Paulo. Não partiu da cúpula da facção, a última instância de decisão. Entretanto, é um sinalizador concreto de como ela recebeu a vitória de um governo que, ao longo da campanha eleitoral, prometeu fechar o cerco contra bandidos que traficam armas e drogas.
Durante dois meses, ÉPOCA conversou com representantes dos setores de Inteligência dos órgãos que investigam o crime organizado em São Paulo. Também ouviu um interlocutor direto do chefe da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Num discurso uníssono, todos dizem que o crime organizado está assustado com a possível repressão alardeada pelo novo governo. Com base em relatos de informantes, um delegado do mais alto escalão do governo paulista resumiu o espírito: “Estão com medo e sem saber como reagir. Quem está na cadeia está preocupado com a perda de benefícios. Quem está fora, com a repressão: se vai perder biqueiras ou se vai morrer”, afirmou.
Na onda de violência de 2006, ônibus foram incendiados e 564 pessoas assassinadas. Foto: Caetano Barreira / Reuters
Com Informações: https://epoca.globo.com/
Categoria: Notícias
