Repasse Informativo | Marcos Monteiro - Repasse Informativo Caxas-MA, O Blog do Marcos Monteiro.

CODÓ EM FOCO: RAIMUNDO MENDES – O ÍCARO CODOENSE

*João Machado

RAIMUNDO MENDES era o seu nome. O sonho de seu Mundico era voar.

Conta-nos a mitologia grega a história de um antigo voador, o nosso querido e conhecido Ícaro, filho de Dédalo. Teimoso no seu intento de alçar vôos. Dizia-lhe o velho pai:

–        Não queira descobrir o mistério das nuvens. Desvendar o encantamento do espaço sideral.

Ícaro não ouviu os sábios conselhos do pai. Nutrindo a obsessão de subir, conviver com as nuvens, sentir novas emoções, deslumbrar-se com um mundo desconhecido, Ícaro, rapaz resoluto e destemido, preparou grandes asas. Subiu num elevado penhasco da costa grega e se atirou ao espaço. Atingiu alguns metros. O calor dos raios solares derreteu a cera que prendia as pesadas asas à cintura e Ícaro mergulhou nas águas profundas do Mediterrâneo. Morreu o nosso herói grego sem realizar o seu sonho.

O Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão realizou a façanha de construir um aeróstato a que deu o nome de “Instrumento de Voar”.

Perante a Corte Lusitana, reunida no pátio da Casa da Índia, em 09 de agosto de 1709, tentou subir, levantar vôo. Malogrou. O balão incendiou-se. Ficou preso ao solo.

O físico suíço Augusto Piccard foi o primeiro homem a explorar a estratosfera, através de um balão por ele idealizado e construído. Vôou navegou pelo espaço, alcançou uma altitude de 16.000 metros, em 1932.

Paris, a capital da ciência e das artes, vibrou de entusiasmo numa manhã amena quando o brasileiro Alberto Santos Dumont, diante das mais altas autoridades francesas, conseguiu voar num aparelho a motor, o famoso “14 BIS”, mais pesado que o ar.

As mulheres sempre marcaram presença em todos os setores da sociedade. Lembramos no mundo da aviação o nome respeitado da conhecida e experiente aviadora brasileira Anésia Pinheiro Machado, primeira mulher aeronauta a fazer uma travessia transcontinental: Nova York/Rio de Janeiro – 1951 -, primeira mulher a cruzar a Cordilheira dos Andes em um monomotor. Para a década de 50 foi uma grande façanha.

A francesa Maryse Bastiê, nascida em Limoges, através de vôos arrojados, conseguiu conquistar 10 recordes internacionais de distância e de duração. Atravessou o Atlântico pela primeira vez em 1936. Arrojado momento feminino, uma conquista das mulheres.

O nosso Mundico é mais recente em sua aventura. Cansou-se de ter os pés no chão. Queria com outros ares refrescar a cabeça. Preparou grandes asas de zinco. O seu intento era ir ao Maranhão, São Luís, como era chamada por muitos, e foi construindo os seus apetrechos voadores. A mulher sempre dizia:

– Deixa de ser doido homem, voar como? Contra a vontade de Deus?

Seu Mundico não queria ouvi-la. Fechava os ouvidos. As asas ficaram prontas. Estavam aptas a serem usadas. Voaria quando o dia amanhecesse claro e brilhante, sem nuvens pesadas para não lhe obscurecer a visão. Voaria alto. Queria ver e sentir a terra bem distante. Chegaria a tempo de almoçar com o Governador. Pousaria no Largo do Carmo. Seria recebido como herói. O Prefeito lhe entregaria a chave da cidade. O comércio fecharia as portas em sua homenagem. Multidões gritariam seu nome. Seria reconhecido e bafejado por todos. Assim pensava.

Certo dia acordou cedo, o céu estava límpido. Era um dia escaldante de outubro, o sol brilhava no céu, esquentando o verão codoense. Ótimo para levantar vôo. Despediu-se da mulher, beijou os filhos. Subiu ao mirante da casa dos Lages, situada na Trizidela, a mulher a gritar-lhe:

– Desce daí homem, deixa de ser doido. Tu vais morrer.

E as crianças encomendando guloseimas: “Papai, traga bombons, biscoitos e doces”. A menor pedia: “Eu quero uma boneca nova”.  E a mulher: “Desce homem”.

Juntou-se embaixo do mirante uma turma de gozadores, que incentivavam a aventura de seu Mundico. Gritavam:

– Pula, pula vôa que queremos ver!

Seu Mundico achou melhor não atender aos rogos da esposa. Entusiasmado com a gritaria insensata dos folgazões, colocou as asas, ajustou-as no corpo, contou até três e jogou-se ao espaço. Ouviu-se o farfalhar das asas de zinco. O seu Mundico caiu pesadamente, espatifando-se no chão. Fraturou o crânio, quebrou várias costelas, a coluna ficou danificada.

O sonho do Ícaro codoense acabou em tragédia. Raimundo Mendes morreu logo, após sua insensata aventura, mas valeu a pena, inscreveu heroicamente, Codó na história da aviação.

Resultado de imagem para FOTO DO POETA JOÃO MACHADO CODÓ

* João Batista Machado. Escritor Codoense, poeta, pesquisador. Autor dos livros Codó, histórias do fundo do Baú e O imaginário codoense. Sócio fundador da Academia Codoense de Letras, Artes e Ciência – ACLAC e do Instituto Histórico e Geográfico do Codó – IHGC.

Fonte:http://portalsinalverde.com// VIA  Ascom

Categoria: Notícias